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“Quem sabe escrever, sabe governar”

Luiz Zanin Oricchio

21 de setembro de 2007 | 16h06

A leitura de Roberto Schwarz sempre é muito útil, além de agradável. Renovei esse prazer lendo o texto introdutório da revista Discurso, da Filosofia da USP, agora editada pela Alameda. O título do artigo é Às Voltas com Bento Prado e fala do amigo mas também da presença de intelectuais na política.

Vale a pena um trechinho, como aperitivo: “Nos anos 60 e 70, a resistência à ditadura deu projeção extra-universitária a alguns professores de esquerda, permitindo que mais adiante, na hora da abertura política, eles se candidatassem a cargos eletivos. O exemplo inicial em São Paulo foi Fernando Henrique Cardoso, que se elegeu suplente de senador. O salto da Faculdade de Filosofia ao parlamento, sem a passagem prévia pelo liquidificador da política profissional, criava expectativas altas e agitava os espíritos. O hábito dos estudos e da discussão, a intimidade com as ciências sociais e com o marxismo fariam diferença no governo?”

Mais adiante, Schwarz se refere a um slogan divertido, inventado pelo colega, agora morto: “Quem sabe escrever, sabe governar; Bento Prado para senador”. Claro, era apenas uma gozação, uma auto-ironia do intelectual que sabia não ter a menor intimidade com as coisas práticas da vida e muito menos com as exigências concretas da política profissional.

Como diz Schwarz: “A inverdade clamorosa da frase era uma piada, na verdade uma aula pela via paródica, oswaldiana ou brechtiana, sobre as presunções da oligarquia num país de alfabetização precária”.

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