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Quem leva os prêmios?

Luiz Zanin Oricchio

17 de abril de 2008 | 18h21

FORTALEZA

Ufa! Passou rápido. Daqui a pouco vou ao cine São Luiz para ver a cópia restaurada de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro e, em seguida, conferir quem foram os vencedores do 18º Cine Ceará.
Com a ida e volta ao Rio, no meio do festival, minha vida se transformou em loucura e mal e mal tive tempo para postar.

Deixei de falar de filmes importantes, mas ainda me recupero. Vi ontem Os Desafinados, de Walter Lima Jr., história de um grupo de amigos e mescla dos tempos da bossa nova e dos anos de chumbo. Gostei e há mil aspectos a discutir nessa reconstituição histórica que, no fundo, é um “memento” de um tempo talvez mais generoso, mas nem por isso menos problemático. Sem nostalgia, please, apenas focado no sentido histórico das coisas. Do devir humano, por assim dizer.

Vi também, principalmente, Luz Silenciosa, do mexicano Carlos Reygadas (de Japón e Batalha no Céu). Bom, sobre esse, para escrever eu precisaria de tempo e serenidade que agora não tenho. Só digo que fiquei chapado com o filme, eu que não me considero muito impressionável e não sou aquele tipo de crítico que detecta uma obra-prima a cada início de mês. Mas há alguma coisa de muito especial nesse Reygadas, um sentido de reflexão, de transcendência, que não se sabe se metafísica ou de fundo religioso. O diálogo com Carl Dreyer é explícito nessa história ambientada em uma comunidade alemã protestante que vive no México. O fundamentalismo religioso esbarra no desejo, e um homem casado, pai de família, atormenta-se porque se apaixona por outra. Os desdobramentos são trágicos, envolvendo dor, culpa e morte. E, a maneira como tudo se resolve é uma verdadeira epifania – outra palavra que não se deve usar com leviandade.

Enfim, não sei quem vai ganhar, mesmo porque foi a melhor seleção do Cine Ceará em toda a sua história, tanto em longas como em curtas. Disputa equilibrada, portanto. Se eu tivesse de apostar alguma coisa seria num certo distributivismo, como tentativa do júri de não cometer injustiça com tantos filmes bons que apareceram por aqui. Sorte nossa, porque festival com filme ruim é a pior coisa do mundo. Já quando os filmes são bons, os festivais podem ser uma forma de felicidade possível neste mundo imperfeito.

Não sei (juro) quem ganhou o prêmio da crítica. Mas já abro meu voto: Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas. Na cabeça, sem um momento de hesitação.

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