Quarentena (5). Cultura contra a barbárie
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Quarentena (5). Cultura contra a barbárie

Luiz Zanin Oricchio

30 de março de 2020 | 11h54

Lila e Lenu na segunda temporada: sobrevivendo em uma sociedade machista

  1. Tentamos sobreviver enquanto assistimos, perplexos, a um presidente desatinado jogando a favor do vírus e contra o país. Um tipo como Bolsonaro já seria daninho em tempos normais. Em meio a uma crise econômica, torna-se deletério. Somada a crise a uma pandemia, torna-se uma desgraça, um flagelo contra o país. Há que se livrar dele, de uma maneira ou de outra, antes que leve a nação ao abismo. 
  2. Enquanto isso, seguimos isolados em nossas casas, nós que podemos seguir as recomendações médicas e não entramos na trip pirada do “presiDoente”.
  3. Tenho lido e visto muita coisa. Séries novas e filmes antigos, em especial. Faço uma listinha aqui, que talvez irei desdobrando em posts futuros. 
  4. Para quem gosta de filosofia, não há nada melhor que A Herança da Coruja, de Chris Marker, no online do festival de documentários É Tudo Verdade. Basta entrar no site do festival e seguir as indicações para ver os três primeiros episódios dos 13 que compõem a série. Sob a batuta de Marker e com a participação de gente do nível de Jean-Pierre Vernant, Cornelius Castoriadis e George Steiner, a série, de 1989, comenta as raízes helênicas da nossa civilização. Raciocínios brilhantes para iluminar um pouco o tempo obscuro que é o nosso. 
  5. A Amiga Genial, em sua segunda temporada, já tem dois episódios na HBO Go. Quem, como eu, devorou os quatro livros da tetralogia napolitana de Elena Ferrante, tem achado muito boa a adaptação da conflitiva amizade entre as duas napolitanas, Lenu e Lila, da infância à velhice. Por enquanto, elas são duas mocinhas, Lenu (alter ego da autora) tentando levar adiante sua vida de estudante e Lila, recém-casada com um brutamontes machão do seu “rione” (bairro). A série é encantadora. 
  6. Comentei hoje, no impresso do Estadão, a série ‘Freud”, da Netflix. Tem altos e baixos, como ficção histórica. Na soma, achei interessante. 
  7. Melhor, nesse quadro da “história alternativa”, é Complô contra a América. Pelo menos, a julgar pelos dois primeiros episódios liberados pela HBO em seu aplicativo. Adaptado do romance de Philip Roth, imagina o que poderia ter acontecido caso o aviador pró-nazista Lindbergh tivesse vencido as eleições presidenciais contra Roosevelt em 1940. Vou acompanhar de perto os outros episódios, que a HBO libera em conta-gotas, como faz com A Amiga Genial. 
  8. Série ótima – e essa eu vi completa, em seus oito episódios – é Zerozerozero, ficção baseada no livro-reportagem de mesmo nome de Roberto “Gomorra” Salviano. A trama desenvolve-se no ambiente internacional do tráfico de drogas, com ramificações nos Estados Unidos, México, Itália e países da África. Bem temperado entre informação da estrutura do tráfico e aventura, tem, entre seus diretores, o ótimo argentino Pablo Trapero. Muito bem filmado e interpretado. Está na Amazon Prime. 
  9. Em função das séries vistas, incluí mais dois livros em minhas leituras. O próprio Zerozerozero, de Saviano, leitura palpitante. E O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, tido como uma das fontes para Freud, da Netflix. O livro é fascinante. Zweig terminou essa autobiografia pouco antes de se matar, junto com a esposa, em Petrópolis, em 1942. Ah, sim, Complô contra a América, de Roth, já entrou no meu radar. 
  10. Entre os filmes antigos que vi, destaco Raízes do Céu, de John Huston, baseado em Raymond Gary. Mas este merece um post à parte. 

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