Ainda os egípcios
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Ainda os egípcios

Luiz Zanin Oricchio

06 de agosto de 2020 | 18h42

Cena de ‘Yommedine’

Continuo seguindo a mostra egípcia online do CCBB. Já vi vários filmes, alguns bem interessantes:

Para onde Foi Ramsés. Documentário sobre como a transferência de uma estátua para um museu pode servir de mote à reflexão histórica sobre o país. 

Fotocópia. O velho e solitário dono de uma fotocopiadora se interessa por uma senhora viúva que mora no mesmo edifício. História sobre a velhice e a necessidade de afeto, intemporal no ser humano. 

Pó de Diamante. Trama intrincada de mistério e crimes com direito ao uso de um misterioso veneno. Thriller bem interessante. 

Dia do Julgamento Final (Yommedine). Entre nós, é o título mais conhecido da série, tendo estado em Cannes. Passou também na Mostra do ano passado. Um rapaz que vive numa colônia de hansenianos faz uma viagem através do país para se reunir com a família. Filme, duro, porém com um humanismo sem concessões. 

Entre dois Mares. Filme dramático sobre o terrível costume religioso da circuncisão feminina. Aqui a prática termina de modo trágico e ameaça destruir uma família. 

Joana D’Arc Egípcia. Filme bastante banhado pelo diálogo com a dança e a videoarte. Inspirado num diário encontrado de uma jovem beduína (Jeanne). 

O Portão de Partida. O mais metafísico dos títulos da mostra (pelo menos até agora). Dispensa diálogos e, através de belas imagens, evoca a dor, luto, memória e esquecimento dos personagens. 

Horário do Cairo. Em compensação, este é bem divertido ao enlaçar três histórias. A de um velho ator que procura sua antiga parceira em filmes, dois filhos preocupados com o pai com Alzheimer e a de um jovem traficante que cruza o país entregando sua “mercadoria” aos clientes. Roteiro bem arranjado e alguns personagens bem sacados. Sátira criativa ao fanatismo religioso. 

Para resumir a ópera: está valendo super a pena. Dificilmente temos oportunidade de ver filmes egípcios, a não ser em situações extraordinárias. Sabemos pouco do seu cinema (o nome maior, entre cinéfilos, é o de Youssef Chahine, autor do magnífico Estação Central do Cairo, que assisti outro dia, este por minha conta). Enfim, o Egito, para a maioria de nós, é Cleópatra, múmias, pirâmides e…acabou. Vale a pena sacar alguma coisa de sua cultura contemporânea pela viagem através dos filmes. 

A mostra continua até dia 23, mantendo o mesmo esquema: um filme novo a cada dia, com repetição do longa exibido no dia anterior. 

Entre em http://www.cinemaegipcio.com.

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