Quarentena (23): A entrevista de Felipe Neto no Roda Viva
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Quarentena (23): A entrevista de Felipe Neto no Roda Viva

Luiz Zanin Oricchio

19 de maio de 2020 | 18h26

Assisti há pouco a entrevista do youtuber Felipe Neto no Roda Vida. Primeiro, esclareço: tinha apenas ouvido falar nesse rapaz e nunca vi um video seu na vida. 

Nos últimos tempos fiquei sabendo que tinha milhões de seguidores. E também soube que, embora tenha manifestado ideias conservadoras (vamos usar o termo, vá lá) no passado, havia revisto suas posições. E defendido uma frente antifascista para enfrentar o disfuncional e desastroso governo atual. 

Gostei do que ouvi no programa e concordo em 90% do que ele disse. Claro, ficar entre Ciro e Amoedo não é bem meu cup of tea, como diriam os ingleses. Mas, e daí? Eu mesmo estou disposto a votar em (quase) qualquer um que possa barrar uma reeleição desse sujeito. 

Basicamente, o que ele diz é que devemos, as forças democráticas, nos unir para enfrentar os perigos reais da regressão a uma ditadura. Quem pode discordar? 

Gostei também quando ele falou (inclusive citando Popper) dos paradoxos da tolerância: quando você é tolerante com os intolerantes, a própria ideia de tolerância vai por água abaixo. É bem isso. Não dá para pactuar com nazistas, fascistas, racistas, etc. Estas ideias e pessoas estão aquém da possibilidade de diálogo. 

Como uns 30% da população brasileira tornou-se refém desse tipo de credo, é algo que fica por explicar. E não iríamos cobrar do Felipe Neto a compreensão para um fenômeno de delírio coletivo que ainda não entendemos nem na superfície. 

Há coisas de que discordo um pouco. Quando, por exemplo, ele diz que foi um erro não ter se ocupado de Olavo de Carvalho antes, etc. Ora, ninguém se ocupava de Olavo pela simples razão que, intelectualmente, ele é zero à esquerda. Não conta. Agora, e isso sim é relevante, com seus cursos, vídeos e manifestações online, Olavo tornou-se um influencer importante, inclusive dentro do governo. Como um debiloide desse naipe faz a cabeça de outros debilóides é matéria para debate. E esse ponto é relevante como tema da psicologia social. Ou da psicopatologia social, não importa. 

Gostaria que Felipe tivesse sido questionado um pouco mais, porque suas ideias políticas me pareceram genéricas e mereceriam aprofundamento. Ele percebe o poder que tem em mãos, mas ainda parece cru nas análises da disputa política. Ou seja, ninguém ouviu no Roda Viva grandes interpretações de conjuntura e estrutura. Mas, enfim, ele tem apenas 32 anos e está aprendendo.  Outros pontos de que gostei é que ele não cai no engodo da meritocracia e aponta a defasagem da esquerda no domínio do mundo digital. Em especial no que se refere à terra de ninguém que é o WhatsApp, principal difusor de fake news. 

Enfim, se esse rapaz tem ideias progressistas e as transmite à sua audiência, muito bem. Não precisa citar Gramsci nem falar de mais valia, luta de classes e modo de produção para formar ao nosso lado numa frente antifascista. Que seja bem-vindo. 

A íntegra do programa está abaixo. 

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