Quarentena (2). Praias desertas
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Quarentena (2). Praias desertas

Luiz Zanin Oricchio

20 de março de 2020 | 11h15

  1. Agora fecharam as praias. Caminhada só pelo calçadão da orla. Não é a mesma coisa. Aqui em Santos gostamos de andar na beira do mar, “chutando água”. 
  2. Tudo está fechando. Escolas, shoppings ( com exceção de algumas lojas), hotéis. A prefeitura diz que vai monitorar imóveis de aluguel, fiscalizar rodoviárias e desestimular viagens para cá. A ideia é não importar o vírus que, segundo o prefeito, tem em São Paulo seu epicentro. Até agora, que eu saiba, não há nenhum caso de coronavírus por aqui. Há suspeitos. 
  3. A cidade está estranha. Acho que todas devem estar. Há um sentimento de irrealidade no ar, como se vivêssemos no interior de um sonho. 
  4. Fui à farmácia comprar um remedinho para dor de cabeça e desisti. Filas enormes. Talvez a população esteja estocando medicamentos também. Voltei mais tarde e estava vazia. Não tinha álcool gel. Perguntei se havia acabado o estoque e a moça me disse que chega mais todo dia, mas acaba na hora pois as pessoas fazem fila e ficam esperando. Desisti. Dizem que água e sabão fazem o mesmo efeito. 
  5. O jornal me encomendou duas matérias.  Vou cuidar delas hoje à tarde. 
  6. Ouvi o podcast de Luís Antônio de Assis Brasil, feito quando lançou seu livro Escrever Ficção. Produto de sua oficina literária que já dura 35 anos. Li alguns dos seus romances e gostei. Um deles, Concerto Campestre, virou filme, que vi em Gramado. Fiquei com vontade de ler esse livro do Assis Brasil. Ele o resume assim: não se ensina a ser escritor, mas se aprende a ser escritor. A ver. Como ele mesmo diz, após o curso nem todos se tornam escritores, mas por certo se tornam melhores leitores. Faz sentido. Estudei música não para tocar mas para ouvir melhor. 
  7. Um pouco cansado de tantas más notícias, me dei uma meia hora de prazer ouvindo Charles Trenet. Já tentaram? É alegria pura. Casa bem com o cinema. Baisers Volés deu título ao filme de Truffaut (no Brasil virou Beijos Proibidos). E Douce France tem papel fundamental em Pacarrete, do Allan Deberton. 
  8. Para terminar a noite, um estranho filme espanhol, As Vantagens de Viajar de Trem. 

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