Quarentena (16): Festival online começa com musa da nouvelle vague
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Quarentena (16): Festival online começa com musa da nouvelle vague

Luiz Zanin Oricchio

21 de abril de 2020 | 12h49

Pronto, mais uma seleção de filmes para amenizar seu confinamento: o BIFF, festival internacional de Brasília, impossibilitado de realizar uma edição presencial, optou por fazer tudo online. É uma escolha ousada. Mas a única possível em face da pandemia e do isolamento social. As alternativas seriam cancelar ou adiar. Começa hoje com o documentário sobre a atriz Anna Karina, musa de Godard e da nouvelle vague. O filme estará disponível no site do festival, das 19h30 às 23h59. Anna Karina – para você Lembrar  é dirigido pelo norte-americano Dennis Berry, último companheiro da atriz, que morreu em dezembro passado. 

O documentário faz jus à estupenda carreira da dinamarquesa que chegou a Paris com 17 anos, foi descoberta pelo mundo da moda e, em seguida, abduzida pelo cinema. O fervilhante cinema francês, que revolucionou essa arte na virada dos anos 1960 e teve em Anna Karina um dos seus rostos (e corpos) mais conhecidos. 

Só com Godard Anna Karina fez sete filmes:Le Petit Soldat (1960), Uma Mulher é uma Mulher (1961), Viver a Vida (1962), Bande À Part (1964), Alphaville (1965), Demônio das Onze Horas (Pierrot Le Fou, 1965), Made in USA (1967) e um episódio de O Amor Através dos Séculos (1967). (Uma Mulher é uma Mulher, comédia romântica brechtiana de Godard, pode ser visto na plataforma Belas Artes à la Carte , que continua aberta). 

Karina e Godard foram casados por sete filmes e sete anos, estes marcados por cenas de paixão, ciúmes, brigas e tentativas de suicídio. 

O documentário de Berry é bastante honesto e bem feito. Em sintéticos 52 minutos, lembra os momentos marcantes da carreira da atriz. Seleciona imagens muito belas e bem conservadas. Uma hora da saudade para cinéfilos antigos, de descoberta para os mais jovens. Como era linda a Anna Karina! Que olhos!

Além da conhecida colaboração com Godard, Anna Karina trabalhou com Schlondorff, Rivette, Visconti, Fassbinder, Vadim, Michel Deville, Ruiz e Cukor, entre outros diretores importantes. Aventurou-se também na direção e assina dois filmes como cineasta: Vivre Ensemble (1972) e Victoire (2007). 

Em 2012, para o primeiro BIFF, ela esteve em
Brasília e pudemos entrevistá-la. Cantou no Teatro Nacional e esbanjou simpatia nas entrevistas e contatos com os fãs. Contou muitas histórias de bastidores do pessoal da nouvelle vague e daqueles anos, digamos assim, “interessantes”. Leia a matéria.    

Toda a programação do BIFF-2020 estará aberta no site. Alguns filmes tem diversas opções de horário, outros só ficam disponíveis em horários fixos. Consulte o site para ver o que é do seu interesse, como e quando assistir. 

Um dos destaques é o polonês Corpus Christi, de Jan Komasa, um dos finalistas ao Oscar (perdeu para o sul-coreano Parasita). Tem como personagem um jovem ex-presidiário que se faz passar por padre no interior da católica Polônia. Faz parte da mostra competitiva, junto com Blue Girl (Irã), Mapa de sonhos Latino-americanos (Argentina), Hálito Azul (Portugal), The French Teacher – um Amor a Três, Me Leve para um Lugar Legal (Bósnia) e mais os nacionais Fendas e Encantado, o Brasil em Desencanto. 

 

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