Quarentena (15): a estratégia fascista de Bolsonaro
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quarentena (15): a estratégia fascista de Bolsonaro

Luiz Zanin Oricchio

20 de abril de 2020 | 18h18

“Era assim que praticavam cuidadosamente o seu método: uma dose de cada vez, e depois de cada dose uma pequena pausa. Sempre só um comprimido e depois esperar um pouco para verificar se não era forte demais, se a consciência do mundo tolerava essa dose.”

De que fala esse texto? De Bolsonaro, que apoia uma manifestação em prol da ditadura e o AI-5 e, no dia seguinte, afirma que o Congresso e o Supremo devem ser mantidos abertos? Como se não houvesse contradição entre uma coisa e outra, entre o ontem e o hoje? 

Não. Esse texto foi escrito quando o capitão nem era nascido. São palavras de Stefan Zweig em sua autobiografia O Tempo de Ontem (1942), que  descrevem o sistema de aproximações sucessivas dos nazistas rumo à ditadura. Prossegue: 

“…as doses iam sendo aumentadas cada vez mais, até fazerem sucumbir a Europa inteira. Hitler não realizou nada mais genial do que essa tática de ir experimentando devagar, aumentando cada vez mais a intensidade contra uma Europa cada vez mais fraca moral e também militarmente”. 

São páginas muito vívidas. A cada passo truculento do nazistas, respondia-se por tênues pronunciamentos de protesto, muito parecidos com as pudicas notas do Congresso, do Supremo, da OAB, de políticos a cada desvario autoritário de Bolsonaro. A parte da sociedade que se opunha aos nazistas não acreditava que aquele ser medíocre representasse qualquer ameaça séria. Nem a massa de delirantes violentos que o seguia. “Temos instituições para detê-los quando forem longe demais”. 

E assim foi escrita a História. De omissão em omissão, a Alemanha foi lançada na tragédia. E, com ela, o mundo. Aprendemos alguma coisa com o passado? 

Como diz Carlos Drummond de Andrade em seu poema Consolo na Praia

“À sombra do mundo errado/

Murmuraste um protesto tímido.”

 

Tudo o que sabemos sobre:

coronavírusbolsonarofascismo

Tendências: