Qual é a sua emoção inesquecível no cinema?
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Qual é a sua emoção inesquecível no cinema?

Luiz Zanin Oricchio

11 de novembro de 2014 | 19h59

Número 700 da revista: qual a sua grande emoção?

Número 700 da revista: qual a sua grande emoção?

Foi com essa pergunta que os Cahiers du Cinéma comemoraram seu número 700, que circulou em maio deste ano. Recebi-o com atraso. Mas valeu esperar.

A revista reuniu 140 personalidades ligadas ao mundo do cinema para responder à pergunta. Nomes como Pedro Almodóvar, Lisandro Alonso, Francis Ford Coppola, Serge Toubiana, Isabelle Huppert, Dominique Sanda, etc e etc. Atores, atrizes, diretores, críticos, todos lembrando de como onde e, às vezes porquê, se sentiram tocados por alguma cena especial no escurinho do cinema. O único nome brasileiro é Kleber Mendonça Filho, diretor de O Som ao Redor.

Em editorial, o redator-chefe dos Cahiers, Stéphane Delorme, lembra que nem sempre essa palavra – emoção – teve grande prestígio numa revista tida como “intelectual”. Verdade, a ênfase é sempre maior na análise do filme do que na emoção que ele desperta em quem o vê. E, no entanto, sabemos que é em busca de emoção que a maior parte das pessoas se dispõe a ir a uma sala de cinema. Um dia, talvez, será preciso esmiuçar melhor o que se entende por este sentimento e por que motivo ele parece tão associado ao cinema.

Em todo caso, alguns depoimentos (não li todos) me pareceram muito interessantes. O de Kleber é original. Ele mesmo diz que não se trata de um grande filme – Jesus de Nazaré, deFranco Zefirelli, mas que ele viu no belíssimo cinema São Luiz, no Recife. Quer dizer, acaba valendo mais a experiência cinematográfica (o local, a época da vida, etc) do que o filme propriamente dito.

Já Martin Scorsese lembra, ainda tocado, quando descobriu, pela primeira vez, que a palavra “rosebud”, de Cidadão Kane, refere-se ao nome de um trenó da infância do personagem que, após sua morte, é incinerado como lixo. Vemos as chamas lambendo o nome e finalmente consumindo o brinquedo que o velho Kane evocava em seu declínio. Também nunca me esqueci de quando vi essa cena pela primeira vez e fiquei espantado com algo que não desconfiava até então – que o cinema era capaz de subir a tais alturas.

Mas, para mim, em termos de emoção, nada jamais superou a ciranda circense final de Oito e Meio, de Federico Fellini, com todos os personagens se dando a mão ao som da trilha incomparável de Nino Rota. Já vi e revi talvez dezenas de vezes e sempre produz o mesmo efeito. Felizmente!

E você? Qual a sequência de cinema considera a mais querida, a mais forte e duradoura? Consulte sua memória.

E, sobretudo, seu coração.

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