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Promessas de Guerra

Luiz Zanin Oricchio

09 de junho de 2015 | 08h51

Promessas de Guerra é a boa estreia na direção de Russell Crowe. Ele mesmo interpreta o fazendeiro australiano que vai à Turquia em busca dos filhos desaparecidos na Batalha de Galipoli (1915), uma das mais sangrentas da 1ª Guerra Mundial.

O começo da história mostra um homem, Joshua Connor (Crowne), buscando água no deserto. Ao se deparar com um ponto que supõe propício, põe-se a cavar. A filmagem se detém algum tempo nesse trabalho e entende-se por quê: ele representa um valor simbólico importante. Joshua é um homem que busca. É tenaz, não desiste diante da dureza de uma tarefa e vai até o fim em seus propósitos. Encontrar água no deserto, colocar uma fazenda em funcionamento, manter a família, eis o sentido da vida para um homem naquela época. Até o momento em que a guerra atravessa seu destino e leva-lhe os filhos. Daí para frente, tudo será desolação. Culminando com a morte da esposa. Morte duvidosa, não se sabe se acidente ou suicídio, provocado pela dor de perder os filhos.

De modo que Joshua é um homem que busca. Desta vez não água, fonte de vida, mas restos mortais. Ele julga que seu dever é repatriar esses restos e enterrá-los ao lado da esposa. Deixa a Austrália e embarca para a Turquia, onde deverá encontrar o campo de batalha e, possivelmente, a sepultura dos filhos. Há duas coisas aí: Joshua é um homem do dever e nenhuma força vai se interpor entre ele e o que considera justo de ser feito. É, também, uma pessoa em busca da explicação, esta outra paixão do ser humano. Queremos saber, como se a história completa de uma tragédia a fizesse mais suportável. Joshua quer saber o que aconteceu aos filhos.

Naturalmente, temos um filme de longa-metragem a encher. Desse modo, Joshua, uma vez em Istambul, conhecerá um garoto malandro e encantador, Orhan (Dylan Georgiades), que o levará a uma pensão gerida por sua mãe, Ayshe, interpretada pela não menos encantadora Olga Kurylenko. Joshua, como todo herói incumbido de uma missão difícil (e piedosa, em seu caso) encontrará opositores e aliados. Afinal, está pisando em território minado, teatro de uma guerra recém-encerrada e que deixou um rastro de atrocidades e ressentimentos. O período histórico pode ter se encerrado, mas, na memória dos homens, ele se estende um pouco mais. Bastante mais, em alguns casos. Por isso, Joshua enfrentará sérios obstáculos em sua busca pela verdade.

O drama é filmado com intensidade e precisão. Crowne, com seu ar triste, faz um personagem convincente, embora dê à história ar romanesco, com o envolvimento com uma bela viúva (Olga Kurylenko), etc. As concessões comerciais não chegam a comprometer a integridade do filme.