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Tropa de Elite 2 põe os políticos na roda

Luiz Zanin Oricchio

06 de outubro de 2010 | 01h02

PAULÍNIA

Gostei. E o público de Paulínia, este primeiro público de convidados, também gostou. Aplaudiu bem no final. Filme forte, bem feito, com cenas de impacto. Gostei, mas em termos. Sinto falta da mesma coisa que sentia em relação ao Tropa de Elite 1: um pouco de sutileza, mais senso de nuance, respeito pela complexidade das coisas. Padinha gosta de simplificar, o que é ok. Só que perde em profundidade. Mas o filme impressiona em vários momentos. Aqui em Paulínia foi aplaudido durante a projeção algumas vezes. Em especial numa hora em que o agora coronel Nascimento cobre de porrada um desafeto e o ameaça de morte. Uma moça ao meu lado, muito bonita e bem vestida, aplaudia freneticamente. As pessoas gostam desse tipo de coisa.

A novidade, em relação ao filme anterior, é que este apresenta a conexão do crime organizado com os estratos mais altos da sociedade – com o poder político. Dessa forma, ao chegar à Secretaria de Segurança do Rio, Nascimento (Wagner Moura) descobre que lá reside o centro do “sistema”, como ele chama. Quer dizer, Padilha quer ampliar seu espectro de diagnóstico. Se em Ônibus 174 ele se colocava no ponto de vista do marginal, e em Tropa de Elite 2 no ponto de vista da polícia, agora busca a motivação política – quer dizer, da busca pelo poder – como a fonte maior do tráfico, dos crimes, do dinheiro que circula; em suma, do Estado.

Numa época de descrédito com a política, não poderia faltar o sobrevoo da câmera sobre Brasília para sugerir que a cabeça da serpente está sempre um andar acima do que se supõe. Aliás, Padilha não sugere nada. Diz explicitamente, à sua maneira. Ao vê-lo, talvez o público não ganhe muito em compreensão, mas desafoga mágoas e frustrações.

Dentro desses limites, o filme funciona. Mix de drama policial, thriller político e filme de máfia, deve fazer sucesso.

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