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Polêmica no cinema brasileiro

Luiz Zanin Oricchio

22 Fevereiro 2013 | 11h58

Existe uma polêmica no cinema brasileiro envolvendo Carlos Eduardo Rodrigues, o Cadu, diretor da Globo Filmes, e Kleber Mendonça Filho, diretor de O Som ao Redor.

Em entrevista à Ilustríssima neste domingo, Kleber afirmou que, com o esquema de promoção da Globo, se você fizer um filme doméstico do churrasco do domingo entre amigos e lançá-lo nos cinemas, já parte de um público de 200 mil pessoas.

Cadu ficou bravo e lançou um desafio através da lista Cinema Brasil, em e-mail público.

Com elegância, mas de forma incisiva, Kleber retrucou.

Leia os textos abaixo e conclua por você mesmo.

DE: Carlos Eduardo Rodrigues

Desafio o cineasta Kleber Mendonca Filho a
produzir e dirigir um filme e fazer 200 mil espectadores com todo apoio da
Globo Filmes! Se fizer nada do nosso trabalho sera’ cobrado do filme dele.
Se não fizer os 200 mil assume publicamente que como diretor ele e’, talvez
um bom critico.
Vamos ao desafio caro diretor……
Este email e’ publico!
Cadu Rodrigues

De Kleber Mendonça:

 

“Olá Cadu

Estava em trânsito o dia inteiro, cheguei em Istambul onde O Som ao Redor será exibido nos próximos dias. O Facebook e a imprensa fervilham com nosso embate. Preciso lhe agradecer pelo desafio, mas sua proposta associa a não obtenção de uma meta comercial (200 mil espectadores) como prova irrefutável de que eu não seria um cineasta. Isso não me parece correto, pois o valor de um filme, ou de um artista, não deveria residir única e exclusivamente nos número$. Sobre ser crítico ou cineasta, atuei como ambos e meu discurso permanece o mesmo, e sempre foi colocado publicamente, e não apenas em mesas de bar: o sistema Globo Filmes faz mal à idéia de cultura no Brasil, atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro e adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto. Devolvo eu um outro desafio: Que a Globo Filmes, com todo o seu alcance e poder de comunicação, com a competência dos que a fazem, invista em pelo menos três projetos por ano que tenham a pretensão de ir além, projetos que não sumam do radar da cultura depois de três ou quatro meses cumprindo a meta de atrair alguns milhões de espectadores que não sabem nem exatamente o porquê de terem ido ver aquilo. Esse desafio visa a descoberta de novos nomes que estão disponíveis, nomes jovens e não tão jovens que fariam belos filmes brasileiros que pudessem ser bem visto$, se o interesse de descoberta existisse de membro tão forte da cadeia midiática nesse país, e cujos produtos comerciais também trabalham com incentivos públicos que realizadores autorais utilizam. Não precisa me incluir nessas novas descobertas, gosto do meu estilo de fazer cinema. Ainda estou no meio de um grande desafio com O Som ao Redor, 9 cópias 35mm, mais algumas salas em digital, chegando aos 80 mil espectadores em 8 semanas, e com distribuição comercial em sete outros países. A maior publicidade de O Som ao Redor é o próprio filme. Para finalizar, esses embates são importantes, fazemos cinemas diferentes, em geografias diferentes. Obrigado, tudo de bom. Kleber”