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Polanski

Luiz Zanin Oricchio

27 de outubro de 2009 | 16h18

O diretor polonês entrou no noticiário com sua detenção na Suíça e o pedido de extradição dos EUA, onde responde por crime sexual. Daí a importância do documentário que leva seu nome no título, dirigido pelo brasileiro Alê Primo, construído em torno de longa entrevista com o diretor quando ele aqui esteve em 2004.

É uma entrevista de trabalho, na qual o cineasta relembra sua longa carreira, de estudante de cinema em Lodz, na Polônia, até a consagração como diretor de sucesso internacional. São dois os trunfos do filme. Primeiro, a clareza com que Polanski se expressa sobre seu trabalho, desde os primeiros curtas-metragens até os sucessos de O Bebê de Rosemary, Chinatown e O Pianista. Segundo, a presença de imagens de quase toda a sua obra, mesmo as menos conhecidas. Polanski não se nega a falar também dos fracassos, o maior deles, Piratas, com Walter Matthau.

Fala também da tragédia com sua mulher, Sharon Tate, assassinada pelo bando de Charles Mason em sua casa de Los Angeles. Polanski relembra sua experiência no gueto judeu, o outro fato traumático de sua existência. Usou-a em O Pianista.

O filme traz texto em off escrito por Marcelo Rubens Paiva e depoimentos de brasileiros. Falam Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ugo Giorgetti e Hector Babenco. Polanski é cineasta de rara intensidade, um mestre, quaisquer que sejam as polêmicas em torno de sua conduta pessoal.

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