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Piratas do Caribe 3: limitações ajudam o produto na bilheteria

Luiz Zanin Oricchio

26 Maio 2007 | 09h12

A sobrecarga visual de Piratas do Caribe 3 é algo digno de nota. Não faz economia de imagens, e nem poderia fazer num mundo que visa sempre o mais (mais velocidade, mais pancada, mais efeitos especiais). Assim, ao visual feérico na maior parte do tempo, mas também soturno quando convém, se soma a ação desenfreada. Algumas lutas se arrastam (sim, é esse o verbo) por incontáveis minutos. O que torna obrigatória essa outra característica notável do terceiro episódio da série – a sua prolixidade. Não existe nenhum motivo intrínseco para que essa aventura dure exatas duas horas e 45 minutos, mas não direi que essa extensão torna uma sessão de Piratas do Caribe experiência de confronto com o tédio, porque seria uma afirmação puramente subjetiva. Também não se duvida que muita gente vá se divertir com o filme, e assim não vai estranhar o tempo de duração. O que se pode dizer é que nada, na estrutura da história, justifica que ela se arraste por intermináveis 165 minutos.

Mas essa é uma questão do tempo. Outra é a do espaço. Em muitas situações Piratas do Caribe trabalha em espaços fechados, porões de navios, calabouços, etc. Em outras vai para espaços abertos, o mar, a ilha salvadora, a costa. Essa dinâmica não é posta em funcionamento com muita desenvoltura, porque nem é isso no fundo que interessa, apesar de algumas (raras) seqüências de beleza visual, e portanto de impacto. Numa delas, talvez a melhor do filme, temos um navio encalhado no gelo e, em torno dele, a figura solitária de Jack Sparrow (Johnny Depp). É um momento de repouso, quase de reflexão, e que portanto ganha sua força no contexto do filme.

Mas esta é apenas uma exceção num produto que deseja reciclar alguns temas tidos como ‘nobres’, como o navio fantasma, a questão da morte e da ressurreição, etc., diluídos na estrutura do seu universo pop. Inclusive com a presença, no elenco, de figuras icônicas. Em determinado momento, por exemplo, Keith Richards em pessoa, na pele de um pirata, dedilha sua guitarra. Mas, claro, quaisquer que sejam as intenções e/ou pensamentos de quem escreve o roteiro ou dirige o filme, eles esbarram na necessidade de justificar o uso de efeitos especiais sempre mais espetaculares, recurso que, finalmente, vai bombar o produto nas bilheterias. O problema então será passar de raspão pelos temas mais espinhosos, de modo que não assuste a platéia teen que forma seu público.

Nenhuma dessas limitações apontadas deve se traduzir em queda na expectativa de bilheteria da aventura, cuja trinca principal é formada por Johnny Depp, Orlando Bloom e Keira Knightley. Pelo contrário, são justamente essas limitações que transformam o filme no sucesso que é.