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Pimenta sim, mas sem exagero

Luiz Zanin Oricchio

27 Fevereiro 2007 | 19h19

A semana promete ser das mais interessantes. Se o Palmeiras aliviou um pouco a barra com a vitória sobre o São Caetano, o Corinthians continuou a marcar passo no empate com o Rio Branco em pleno Pacaembu. Na quinta-feira precisa se desvencilhar do Pirambu para seguir na Copa do Brasil e, no fim de semana, tem o clássico contra o arqui-rival Palmeiras.

O Corinthians tem ainda uma eleição hoje, para aquecer seu já conturbado ambiente político, e mantém o técnico Emerson Leão sob fogo cruzado. Com seu gênio difícil, Leão anda encrencado com seu próprio elenco, com a diretoria do clube e também com a imprensa, com a qual não consegue estabelecer um relacionamento normal. O Palmeiras ganhou um refresco com a vitória magra e a boa atuação de Valdivia, cujo apelido, ‘El Mago’, já começa a ser levado a sério no Parque Antártica. Mas o que restará dessa trégua em caso de derrota para o Corinthians? Assim, são dois times em instabilidade que se encontram domingo no Morumbi.

Todos esses ingredientes estarão presentes no clássico, o que servirá para apimentá-lo mais do que o normal, tomara que não mais do que o necessário para se transformar em jogo bem disputado. Futebol sem rivalidade não tem graça, vira casados e solteiros em domingo de churrasco e cerveja. Já o excesso de rivalidade pode transformar uma partida em guerra, e ninguém quer isso, não é?

O fato é que os ânimos estão acirrados, como em geral acontece no futebol, ainda mais em situações de tensão como as que vivem esses dois clubes de tanta tradição. Deve haver alguma razão para isso, mas o futebol é o palco ideal para julgamentos rápidos, sumários mesmo, e para destemperos de todo o tipo. Leão está sendo apontado como o vilão da hora. Mas, como diz o Evangelho, quem se habilita a atirar a primeira pedra? Será que ele foi o primeiro ou será o último a tratar de maneira inadequada seus atletas, a reclamar sistematicamente da arbitragem, a se indispor com a imprensa? Claro que não.

Nas relações humanas, no futebol ou fora dele, a cortesia deveria ser a regra. Não é assim, que pena. E, no futebol, às vezes entendemos a truculência como uma virtude, a associamos à ‘raça’, à determinação, ao amor à camisa, ao sentido de disciplina. Pergunte a um torcedor (ou mesmo a alguns comentaristas) se às vezes um time que está jogando mal não precisa de um treinador tipo sargentão. Na maioria dos casos a resposta será a afirmativa.

Mas voltando a Palmeiras e Corinthians. Os dois, até domingo, deverão definir seus destinos, pelo menos neste início de temporada. Será que dá para se classificar entre os quatro que irão à disputa do título? Em teoria sim, há tempo suficiente e pontos em aberto para isso. Mas, para chegar lá, terão de jogar um futebol que, até agora, não apresentaram.

A situação não deixa de ser curiosa. No começo do campeonato não faltou quem profetizasse que os grandes já tinham vagas garantidas e que os pequenos entrariam como meros coadjuvantes. Lutando contra o rebaixamento ou, no máximo, brigando por uma das quatro vagas da disputa do título de ‘campeão do interior’.

O que ninguém podia (ou queria) prever é que, passada mais da metade da fase de classificação, dois times do interior, Paulista e Noroeste, estariam ocupando vagas em tese destinadas aos ‘grandes’ por direito divino, como nas monarquias.