Picasso e o roubo da Mona Lisa
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Picasso e o roubo da Mona Lisa

Luiz Zanin Oricchio

30 de novembro de 2015 | 00h09

picasso

O filme se diz uma ficção baseada em fatos reais. Picasso e o Roubo da Mona Lisa, do diretor espanhol Fernando Colomo, põe em cena figuras reais como Pablo Picasso e Guillaume Appolinaire, entre outros, na Paris de 1911, quando vários furtos no Louvre abalam os alicerces da República Francesa.

Deveria acrescentar – é uma farsa cômica, que usa a graça e personagens reais para fazer algumas pequenas reflexões a respeito da arte. Em especial acerca da grande arte do século 20, com o surgimento do cubismo, que iria perturbar corações e mentes mais acomodados. Entre os quais um já consagrado Matisse, que não consegue entender o alcance das figuras traçadas pelo então desconhecido pintor espanhol que vivia em Paris. Acontece que Picasso estava esboçando Les Demoiselles d’Avignon, o retrato de prostitutas que colocaria a arte pictórica de cabeça para baixo.

Aliás, esta é uma das cenas engraçadas, quando sugerem a Picasso que apresente seu quadro virado de ponta cabeça, pois assim faria mais sentido. Diluída entre gagues e piadas, corre uma sutil discussão a respeito da obrigatoriedade de a pintura representar o real, camisa de força da qual a arte moderna se livraria. “Não importa o tema”, sustenta o jovem Picasso, “mas a forma”.

Quem interpreta Picasso é Ignacio Mateos e seu grupo de amigos é composto pelo poeta Appolinaire (Pierre Benezit), o pintor Georges Braque (Stanley Weber), o escultor Manolo Hugué (Jordi Vilches) e o escritor Max Jacob (Lionel Abelanski). Há também as mulheres, Fernande (Raphaëlle Agogué), musa de Picasso e Marie Lauvencin (Louise Monot), além das norte-americanas Gertrude Stein (Cristina Toma) e sua companheira Alice Toklas (Eszter Tompa), ambas em sintonia perfeita com a Paris dos anos loucos.

Esta, a Paris das primeiras décadas do século 20, era mesmo o centro do mundo, o melhor lugar da Terra, como acertadamente a situa Woody Allen em um dos seus filmes recentes. O filme acerta ao retratar o clima febril dos salões parisienses, os cafés, onde se debatiam as novas tendências estéticas, as exposições onde se confrontavam conservadores e rebeldes.

Poderíamos pedir um pouco mais de profundidade, sobretudo em década tão decisiva. Mas fica clara a intenção de Colomo de fazer apenas um divertissement inteligente. Nesses limites, o filme é puro prazer

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