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Período de graça

Luiz Zanin Oricchio

05 Fevereiro 2008 | 20h58

Quando entra um novo governo, costuma-se dizer que tem cem dias de “período de graça”. É o tempo de tolerância que a opinião pública lhe dá para que comece a produzir resultados. Depois disso, se as coisas não mostram qualquer mudança em relação ao anterior, começa o pau.

E no futebol, qual seria o tempo justo para o período de graça?
Pergunto porque já passamos da sexta rodada do Paulistão e nenhum dos grandes apresenta desempenho satisfatório.

Nem mesmo o São Paulo, o único atualmente a ocupar uma das quatro vagas para a fase final do torneio. O Tricolor tem, como de hábito, a melhor defesa, só que o ataque continua inapetente. Marcou apenas sete gols, média muito baixa, frustrando quem esperou demais de Adriano. Mesmo assim, o São Paulo está lá, nas cabeças, como sempre, seguindo o estilo pragmático de Muricy.

E se o São Paulo não está tão bem, o que dizer dos outros? Talvez a maior decepção, até agora, seja o Palmeiras, pelo volume de investimentos, a começar pela contratação de Luxemburgo que, como sabemos, só amarra o barco em porto rico. Só que o time continua desequilibrado, com problemas defensivos e ataque pouco inspirado.

Achei até curiosa a tranqüilidade de Luxa depois da derrota para o Noroeste. Parecia até outra pessoa, e não aquele treinador que não aceita outra coisa que não seja a vitória. Cadê o brilho nos olhos? Ou será que considera o Paulista, onde vegeta na 11ª posição, apenas um laboratório onde irá cozinhar uma equipe vencedora para a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro?

Já as dificuldades do Corinthians pareciam as mais previsíveis. Afinal, trocou quase o time todo, e tinha de fazer isso mesmo pois a equipe do ano passado, rebaixada, foi uma das piores da história do clube, rivalizando com o mitológico Faz-me Rir. Mano está tentando montar um time literalmente forte para o principal objetivo, que é voltar à elite do Campeonato Brasileiro. Mas o ataque é bem fraco, com seis gols contabilizados e há três jogos na seca. Acosta fez um golaço logo no início do campeonato e depois refluiu. Apagou-se. Patina na 10ª posição. Nem cá, nem lá.

O Santos é o caso mais grave entre os quatro grandes. Digo isso porque dispunha de boa base vinda do ano passado e portanto não era para estar nessa situação, na zona de rebaixamento. Se o time não chegou a encantar em 2007, pelo menos fez boa campanha ao longo do ano.Foi bicampeão paulista, chegou às semifinais da Libertadores e ao vice brasileiro. Se mantivesse a base, contratasse um ou outro reforço e fosse lançando aos poucos os novatos seria candidato a todos os títulos que disputasse. Fez tudo ao contrário. Desmontou-se, não contratou ninguém de peso e agora atira os meninos às feras, atabalhoadamente, por pura falta de opção. O Santos é um exemplo de falta de planejamento para ser estudado em faculdade.

Na minha opinião, o período de graça acabou. Já está mais do que na hora de os grandes apresentarem coisa melhor.

SELEÇÃO DE DUNGA

Dunga não tem nenhum culpa de Pato e Kaká se machucarem. Agora, ou ele está enxergando alguma coisa que ninguém vê ou a convocação de Bobô, ex-Corinthians e hoje no Besiktas, deve ser considerada, no mínimo, como exótica. Pode ser que o simples fato de atravessar o Atlântico aprimore demais o futebol dos brasileiros, mas eu me lembro de Bobô como um dos mais medíocres atacantes que já passaram pelo Corinthians. Melhorou tanto assim? Dizem que lá ele está marcando gols. Fez 45 em 70 jogos pelo time turco. Seria o novo Afonso?

(Coluna Boleiros, 5/2/08)