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Perigoso e cheio de ginga: VIPs

Luiz Zanin Oricchio

25 de março de 2011 | 14h37

O diretor Toniko Melo se irrita quando comparam VIPs a Prenda-me se For Capaz, de Steven Spielberg. Isso porque o diretor americano teria filmado a vida de um falsário enquanto ele, Toniko, levou para a tela a história de um farsante. Além disso, diríamos nós, Spielberg passa um pouco por cima das motivações de Frank Abagnale Jr. (Di Caprio) enquanto Marcelo (Wagner Moura) se explica pela fixação no pai, aviador, e na mãe, adoradora de celebridades.

Milena Mendes/Divulgação

De qualquer forma, a ficção criada em torno do personagem real Marcelo, que cumpre pena na penitenciária, vale-se do encantamento um tanto ambíguo que os grandes malandros despertam em cada um de nós. Para explorar essa possibilidade, VIPs investe em roteiro bem depurado, na filmagem caprichada e feita de ligações rápidas entre as sequências e, claro, num ator da pesada e de grande carisma. O resultado é convincente, ainda mais para um filme que se destina ao grande público.

É uma escolha e que traz consequências. Por exemplo, se a primeira parte, no tráfico de drogas, é bem desenvolvida, o que se segue parece cortado às pressas, para dar “agilidade” e colocar o filme na metragem padrão. Fica faltando coisa. O que sobra tem sabor, embora seja insuficiente.

VIPs dá embalagem charmosa a temas contemporâneos fundamentais, como a questão da identidade problemática, o fascínio acrítico pelas celebridades, a inconfessável atração pela marginalidade (dentro de certos limites), etc. Essa busca de comunicação imediata com o público cobra o preço de uma certa ligeireza. É perigoso, mas inegavelmente sedutor, como o malandro vivido por Wagner Moura.

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