Penélope & Almodóvar
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Penélope & Almodóvar

Luiz Zanin Oricchio

10 de outubro de 2006 | 14h22

Vou abrir o jogo: nunca tive lá muita simpatia por Penélope Cruz. Mas, entrego os pontos e admito (alegremente) que ela está maravilhosa em Volver, o novo filme de Pedro Almodóvar, que vi agora de manhã em sessão para a imprensa. Não é difícil apostar que Volver será uma das grandes atrações da 30ª Mostra de Cinema, pois Almodóvar tem público fiel. E algum jeito ele deu em Penélope, que, de enjoadinha que sempre me pareceu, ganhou ares de mulherão, uma espanholona daquelas de Almodóvar, despachada, peituda, mandona, cheia de iniciativa e paixão. Ela é Raimunda, vive com a filha e o marido numa cidadezinha da Mancha, famosa na Espanha pelo vento insalubre e pelo grande número de loucos entre seus habitantes. Há um imbróglio familiar, supostos mortos que reaparecem e o eterno universo feminino de Almodóvar. Nesse filme você ri e você chora. E nem por um momento questiona a verossimilhança de uma história que, analisada de maneira racional, pareceria inverossímil a mais não poder. Mas quem liga para a racionalidade quando entra em campo aquela intensidade emocional de que só Almodóvar parece conhecer o segredo no cinema contemporâneo?


Penelope Cruz, exuberante em Volver, de Pedro Almodóvar

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