As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Paulistão: agora é prá valer

Luiz Zanin Oricchio

19 Abril 2011 | 13h36

Em meio ao marasmo, a última rodada de classificação trouxe algumas reviravoltas interessantes ao tedioso Campeonato Paulista de 2011.

Para o Palmeiras, por exemplo, foi melhor perder do que ganhar. Livrou-se do confronto direto com a Portuguesa e ainda jogou a Ponte Preta para cima do Santos, outro candidato ao título. A própria Lusa classificou-se na bacia das almas, quando já não se julgava possível. Enfim, o acaso fez o seu trabalho e caldeirão agitou-se. Tudo somado, os confrontos mais perigosos ficaram com o São Paulo, que enfrenta a Portuguesa, e com o Santos, que encara o muito bem montado time da Ponte Preta. Jogos de risco, sem dúvida.

Com todo o necessário e devido respeito, estamos falando da Portuguesa e da Ponte e não, digamos, do Barcelona e do Real Madrid. Não podem ser considerados bichos-papões, mas é óbvio que, também em teoria, são adversários mais difíceis que Oeste e Mirassol, oponentes do Corinthians e do Palmeiras. A Ponte, por sinal, tem sido o flagelo dos grandes neste campeonato. Ganhou de todos, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, e arrancou um empate diante do Santos. Não é pouca coisa, senhores. É um retrospecto e tanto.

O Santos, portanto, que coloque as barbas de molho, ainda mais se estiver com a cabeça voltada por completo para a Libertadores no momento de enfrentar o time de Campinas. Manter o foco múltiplo nunca é fácil, como sabemos nós na exigente vida cotidiana e sabem os boleiros quando participam de mais de uma competição.

A Lusa também pode impor sua fama de asa negra. A zebra é possível, em especial por que o São Paulo, como observou o PVC em sua Prancheta de ontem, está longe de ser um time imbatível.

Quaisquer que sejam os resultados dessas quartas de final, o mais importante para a torcida é que a fase tediosa já ficou para trás. Daqui em diante os jogos serão mais interessantes. Se não pintar o grande futebol (e nada indica que ele virá), pelo menos a emoção há de voltar. Seria ainda melhor, é claro, se fossem jogos de ida e volta, o que garantiria mais justiça ao campeonato. Mas algum gênio maligno deve ter sussurrado ao ouvido do presidente da Federação Paulista que, após 19 jogos que não valem praticamente nada, nada melhor que os finalistas decidirem sua sorte numa única partida. Sem prorrogação ou vantagem para quem se classificou melhor. Apenas 90 minutos e, em caso de empate, pênaltis. Não é maravilhoso?

Essa “fórmula magistral” garante o máximo de imponderabilidade ao campeonato. Num jogo só, pode dar qualquer coisa. O que podemos fazer é apenas refletir que Ponte e Portuguesa têm mais camisa, ou mais time, que Mirassol e Oeste. Por isso, Lusa e Macaca têm maior probabilidade de complicar a vida dos seus adversários mais fortes. Mas o que no fundo se espera é que os quatro grandes saiam vitoriosos e joguem entre si na semifinal. Teríamos, então, Santos x São Paulo e Palmeiras x Corinthians. Seria a lógica, mas algo me diz que pode haver alguma surpresa no meio do caminho e pelo menos um dos grandes ficar de fora das semifinais. Apenas uma sensação, sem maior fundamento. Um feeling, como diriam os pedantes.

A esta altura do campeonato, podemos fazer duas coisas: ou lamentar o que houve até agora ou curtir o que virá. Fico com a segunda alternativa, pois acho que devemos sempre manter o senso crítico, mas aproveitar ao máximo o que a vida nos concede. Já que tudo é provisório, a melhor receita é o “Carpe Diem”, na famosa frase romana: desfrute o dia, sem pensar muito no amanhã.

Só que, passadas as emoções, quando terminar o Paulista-2011, deveríamos saudar o campeão e voltar a refletir sobre essa infeliz fórmula de disputa adotada. Para que não se repita no ano que vem. Ninguém merece enfrentá-la dois anos seguidos.

(Coluna Boleiros, 19/4/2011)

Mais conteúdo sobre:

campeonato paulista