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Paulínia, de novo

Luiz Zanin Oricchio

15 de julho de 2010 | 10h27

Com a exibição especial de O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, começa nesta quinta, 15, a nova edição do Festival de Cinema de Paulínia, cidade situada na região de Campinas, a cerca de 100 km da Capital. Há vários motivos e datas redondas para esta homenagem a Babenco. O Beijo da Mulher Aranha faz 25 anos. Rendeu ao ator William Hurt um prêmio de interpretação masculina no Festival de Cannes e foi o único filme latino-americano selecionado para a seção Cannes Classics 2010, evento do festival francês deste ano. Além disso, completam-se agora, dia 22, 20 anos da morte de Manuel Puig, autor do romance original, argentino de nascimento, como Hector Babenco.

A cerimônia de abertura acontece no Teatro Municipal de Paulínia, aquela incrível casa de espetáculos pousada, como uma nave espacial, logo na entrada dessa cidade de pouco mais de 70 mil habitantes, porém muito bem dotada de recursos econômicos. O teatro é uma joia. O festival, que chega à terceira edição, é outra. No congestionado calendário dos festivais de cinema no brasileiro, encontrou de pronto um lugar de destaque.

Prova disso é a seleção de filmes que apresenta para este ano. Das seis obras de ficção concorrentes, apenas 5 x Favela – Agora por Nós Mesmos, não é completamente inédita. Passou no Festival de Cannes. O resto é matéria-prima desconhecida. Quase a mesma situação para os seis documentários da mostra competitiva: apenas Uma Noite em 67 já foi visto pelo público paulistano, na abertura do Festival É Tudo Verdade, dedicado ao gênero documental.

Além desses longas em competição, Paulínia apresenta também seu concurso de curtas-metragens, com sete concorrentes nacionais e mais seis regionais. Nas mostras paralelas, alguns títulos recentes, como É Proibido Fumar e Salve Geral, ao lado de dois filmes que dão seguimento à homenagem a Hector Babenco – Pixote in Memorian, de Felipe Briso e Gilberto Topczewski, e Coração Iluminado, do próprio Babenco.

O festival, como todos os eventos do gênero, comporta ainda oficinas, debates, e mesas-redondas em sua programação. Os filmes serão debatidos com o público na manhã seguinte à exibição. Paulínia também será sede de um encontro nacional de críticos de cinema, que será realizado no sábado, dia 17.

Mas as atenções se concentram mesmo é na seleção de filmes em competição. Nesse aspecto, há o lado artístico e o lado comercial da coisa. Esses concorrentes disputam a nada negligenciável soma de R$ 650 mil em prêmios, o que faz de Paulínia um atrativo e tanto para diretores e produtores. O melhor longa-metragem de ficção leva R$ 150 mil. Já o melhor documentário fica com R$ 50 mil. Há prêmios em dinheiro para atores, atrizes, direção, fotografia, montagem e outras categorias.

O lado artístico, filtrado pela boa curadoria do diretor do festival, Ivan Melo e do crítico Rubens Ewald Filho, aponta para uma tendência já desenhada em edições anteriores – a diversidade. Paulínia tem uma filosofia de trabalho própria. Não se limita a filmes de maior empenho artístico e tampouco se fecha a eles. Também não discrimina obras de apelo mais popular, que busquem o diálogo com o público. Qual será o nível desses selecionados. Não se pode falar sobre filmes que não se viu, mas, a julgar pelo perfil dos diretores, esse padrão misto não será alterado.

O festival vai até dia 22, quando se encerra com a distribuição dos prêmios, precedida pela exibição, fora de concurso, de outro inédito, 400contra1 – Uma História do Crime Organizado, de Caco Souza.

(Caderno 2, 15/7/10)

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