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Patriotismo e esporte

Luiz Zanin Oricchio

11 de setembro de 2007 | 08h45

PARIS – Acontece em qualquer lugar e está acontecendo agora mesmo na França essa mistura muitas vezes espúria entre esporte e patriotismo. Como a França perdeu o primeiro jogo da Copa do Mundo de rúgbi para a Argentina, ficou em situação difícil na tabela de classificação. Fala-se, pelos cantos, e com muito jeitinho, que faltou um pouco de “vontade” aos bleus. Assim, o presidente Nicolas Sarkozy sugeriu que no vestiário, antes do próximo jogo, seja lida aos jogadores a famosa carta de Guy Mocquet aos resistentes. Sarkozy acha que a leitura deveria se estender também aos colégios franceses, que estão retomando as aulas na próxima semana.

A carta de Mocquet, um herói da Resistência, é um texto famoso, que incita os compatriotas a lutarem contra o invasor alemão, isso na época da 2ª Guerra Mundial, claro. Levar as palavras de Mocquet ao vestiário da seleção francesa foi considerado um pouco a mais para muita gente. Historiadores foram ouvidos e entendem que se trata da banalização de um documento importante da nação francesa. E que não tem cabimento misturar as bolas. Uma coisa era resistir a um invasor estrangeiro, outra jogar uma partida contra outro país, que é um adversário, mas não um inimigo.

É isso mesmo, mas o que fazer se essas noções de honra, dignidade, etc. se associam com tanta facilidade ao nacionalismo esportivo?

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