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Paraíso Tropical

Luiz Zanin Oricchio

07 Março 2007 | 20h10

Nas férias faço coisas que são impensáveis durante o tempo de trabalho, como ver os primeiros capítulos da nova novela da Globo. Acompanhei Paraíso Tropical e encontrei coisas interessantes, e outras nem tanto. Por exemplo, a armação da narrativa, apresentando os personagens aos poucos, me pareceu ágil, envolvente. O desejo de tematizar a realidade brasileira, com seus contrastes sociais, também.

Assim, vai se falar de prostituição, por exemplo. E, nesse sentido, achei interessante aquela inserção de um bordel em funcionamento num prédio de classe média em Copacabana. A caótica (des) organização urbana brasileira facilita a coexistência de tudo, inclusive de famílias e, bem, profissionais do sexo.

Já o didatismo usado na apresentação do perfil dos personagens não me desce goela abaixo. Por exemplo, o personagem de Wagner Moura, o malvadão da trama, não poderia ser menos caricato em sua ambição? Parece até que o ator está dando uma piscadela para o público: “Tá vendo como eu sou malvado?” O equivalente oposto é o galã Fábio Assunção. Este transborda bondade e compreensão humana, uma jóia sem jaça. Será que o público não teria maturidade para se identificar a personagens um pouco mais complexos?

Certo, eu sei que folhetim é desse jeito mesmo. Ou será que não poderia ser um pouco diferente, com gente um tantinho mais contraditória (quer dizer, normal) e mesmo assim capaz seduzir o distinto público e cumprir sua tarefa, que é dar ibope? Afinal, há folhetins e folhetins, não é?