Para o Outro Lado
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Para o Outro Lado

Luiz Zanin Oricchio

30 de novembro de 2015 | 22h32

lado

Consolo da vida após a morte? É o que oferece Para o Outro Lado, de Kiyoshi Kurosawa. Pelo menos, à primeira vista. Assim é quando Mizuki (Eri Fukatsu), uma professora viúva há três anos, vê seu marido reaparecer em casa. Ele, Ujsuke (Tadanobu Asano), não apenas retorna e reconforta a esposa como a convida para uma viagem.

E para essa viagem o espectador é seduzido a acompanhar o casal de novo reunido. Convite à fantasia, claro, que, para ser aceito, exige abolir a desconfiança e embarcar num mundo que se rege por regras próprias.

Kurosawa nos conduz por ele com toda a delicadeza e também tomando todo o tempo que lhe parece necessário para que o espectador se sinta confortável, embora surpreso. Imagine-se num sonho: o filme é isso. De certa forma, o cinema, e toda a representação artística, também o são. Produzem sua verdade interna e nós acreditamos nela (quando a obra é boa, claro) para podermos nos confrontar com nossa própria verdade pessoal. A emoção é o veículo que serve a essa mágica e Kurosawa, com suas imagens suaves, sabe produzi-la.

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