Para juntar as duas pontas da história
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Para juntar as duas pontas da história

Luiz Zanin Oricchio

21 Junho 2011 | 15h36

Neste meio de semana, todos voltam suas atenções para o Santos – mesmo os adversários, segundo os quais o Peñarol é o Brasil na Libertadores. O time da Vila, como bem destacou o colega Paulo Calçade em sua coluna, tem encontro marcado com a sua história. Amanhã, no Pacaembu, poderá reatar com uma tradição que vem desde os tempos de Pelé, quando se sagrou bicampeão da Libertadores (1962-1963) e bi mundial (contra Benfica e Milan). Apenas 90 minutos, ou quem sabe 120, ou talvez uma interminável disputa por pênaltis, separam o alvinegro da sua mais importante conquista desde os míticos anos 60.

Não é pouca coisa. É muita. Muito mais do que poderiam sonhar os torcedores quando este time de meninos foi montado e encantou a todos no primeiro semestre do ano passado. Desde então foram três conquistas – dois Paulistas e uma Copa do Brasil. A Libertadores seria a joia na coroa, a beatificar – ou melhor, santificar – toda uma equipe, do treinador ao roupeiro, incluindo o presidente, o conselho e o homem que serve cafezinho em Urbano Caldeira. Toda a comunidade santista sairia ganhando com essa conquista e, ouso dizer, até mesmo a oposição à atual diretoria dela se beneficiaria.

No futebol, se sabe, medem-se as coisas pelo resultado imediato. Não deveria ser assim, mas é. De modo que, dependendo do resultado do jogo no Pacaembu, toda uma filosofia de trabalho pode ser aprovada ou reprovada. Qual o principal ponto? De uma forma ou de outra as principais estrelas da casa foram mantidas. Neymar, com um imaginoso plano de carreira, e Paulo Henrique Ganso, ainda que contra sua vontade e da empresa que detém parte dos seus direitos.

Além disso, o time foi fortalecido em algumas posições e buscaram-se reforços significativos, como Elano. Quando o clube, por bobeira, perdeu o técnico Dorival Jr., e por um tempo andou à deriva, veio a grande tacada: a contratação de Muricy Ramalho. Em tempo recorde, Muricy consertou o ponto frágil do time, o setor defensivo. Mesmo na bacia das almas, tirou a equipe de uma situação difícil na Libertadores e ei-lo aí, na final do torneio, a uma partida do título.

A vitória dará credibilidade a todo esse trabalho. Mas deveríamos deixar a mesquinhez de lado e reconhecer que, qualquer que seja o resultado, o planejamento do Santos se revelou vencedor. Em um jogo tudo pode acontecer, mas o simples fato de chegar a uma final de Libertadores já é um tremendo passo.

Para vencer, o Santos terá de jogar muita bola. E suar. Uruguaio não se entrega e o Peñarol vem a São Paulo certo de que pode vencer. Time por time o do Santos é melhor. Mas, como sabemos desde criancinhas, nem sempre o tecnicamente melhor vence. Entram na parada outros fatores, como o imponderável e a raça, ou seja, a vontade férrea de vencer e a convicção inabalável de se pode fazê-lo.

Já sabemos, desde 1950, do que são capazes os uruguaios. Na verdade, sabemos desde muito antes, quando nossos dois adversários e vizinhos, Uruguai e Argentina, eram terríveis asas negras de clubes e seleções. A tal ponto que se cunhou a expressão “platinismo” para designar os que achavam que os nossos amigos-rivais próximos seriam sempre melhores que nós no campo de jogo.

Muita coisa aconteceu desde então. O futebol brasileiro firmou um estilo e conquistou um número inédito de títulos mundiais. Já o Uruguai entrou em decadência futebolística da qual apenas agora se recupera.

Com esses ingredientes, Santos x Peñarol tem tudo para ser inesquecível. No encontro de 1962, o Santos venceu, na terceira das três partidas decisivas, por 3 a 0. Jogou com Gilmar, Mauro, Dalmo, Zito, Lima e Calvet, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. O time dos sonhos.

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