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Papai Scolari *

Luiz Zanin Oricchio

05 Fevereiro 2013 | 08h26

Perguntaram a Neymar o que ele achava do novo técnico da seleção. A resposta: “Ele é meio assim, paizão, né?” Aposto que outros boleiros da jovem guarda, que haviam trabalhado sob Mano Menezes, também não têm muita ideia do que deverão encontrar pela frente, e que trabalho farão a partir desse amistoso com a seleção da Inglaterra. Uma trajetória que, ao que tudo indica, deverá levar à Copa do Mundo de 2014. Acho que, a esta altura do campeonato, ninguém espera que a CBF mude de novo o comando técnico, mesmo que o resultado na Copa das Confederações não seja o melhor. Enfim, é o que se supõe, embora ninguém possa ou deva botar a mão no fogo por palavra de dirigente.

Vamos, então, de Felipão. O que ele tem a mostrar? Tirando essa imagem de pai severo e justo, o que pode apresentar de novo? A julgar pela primeira convocação, ele deseja mais experiência em sua equipe. Daí as voltas de Luiz Fabiano, Julio Cesar, Ronaldinho Gaúcho, Fred. São jogadores tarimbados e, alguns deles, como o goleiro Julio Cesar, já tidos como cartas fora do baralho. Ronaldinho até mereceu convocação de Mano por conta da recuperação conseguida em sua transferência do Flamengo para o Atlético. Scolari está seguindo um conselho que Nelson Rodrigues dava aos jovens: “envelheçam”.

Mas, nem tanto, claro. A boa equipe virá de uma mescla entre o sangue jovem e a experiência. Depois do jogo que vi o veterano Lúcio fazer na Vila Belmiro, não me espantaria se ele também voltasse à seleção para contrabalançar a juventude de Neymar, Lucas, Oscar e outros garotos de talento. Essa é a boa liga. Vivência e mocidade. Esse é o primeiro indício do que será a seleção.

E quanto ao resto? Teremos alguma novidade já no jogo de amanhã? Pode ser, mas não do ponto de vista tático, a não ser que acreditemos em milagres. É preciso tempo para montar um time e impor um estilo de jogo. Não se faz de uma hora para outra. Para o jogo contra a Inglaterra, o técnico terá uma boa conversa com os jogadores e pouco mais que um rachão para passar à prática. Talvez o que se veja seja uma atitude diferente da seleção.

Scolari já chegou com um discurso diferente, dizendo, por exemplo, que o Brasil tem, sim senhor, obrigação de ganhar a Copa. É uma aposta arriscada, de quem sabe que o atual estágio da seleção é inferior a pelo menos, duas ou três equipes do primeiro escalão, Espanha e Alemanha, com certeza. Pois Felipão dá um tapa (simbólico) na mesa e afirma: “Nada disso, os favoritos somos nós”. E aí está o “paizão” a que se referia Neymar. Severo, exigente, autoconfiante. É a imagem de Felipão e provavelmente ele ganhou a Copa de 2002 mais com essa qualidade do que com inovações táticas. Além do mais, como é o treinador, mas divide o comando técnico com o mais cerebral Carlos Alberto Parreira, é possível que haja aí uma soma de intuição com racionalidade. A partir de amanhã o Brasil começa a jogar a Copa de 2014.

*Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão