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Palmeiras Selvagens

Luiz Zanin Oricchio

15 de janeiro de 2009 | 22h46

Li também um Faulkner que não conhecia – Palmeiras Selvagens. Bem, que não conhecia, é dizer muito. Conhecia de ouvir dizer, mas nunca havia lido. Glauber Rocha queria filmar o romance. E, vendo em Veneza um documentário de Agnès Varda (Les Plages de Varda, lindo), soube que fora um livro decisivo na vida da cineasta. Como ele estava na minha estante havia alguns anos, resolvi levá-lo para as férias. Não me arrependi. Mas não é livro fácil de se ler, como costuma acontecer com Faulkner. Alterna dois relatos, aparentemente sem relação entre si. Numa delas, um homem e uma mulher tentam um caso de amor terminal, sem qualquer possibilidade de ser bem-sucedido. No outro, um prisioneiro salva uma mulher grávida de uma inundação no Mississipi. O trabalho com as vozes narrativas, o monólogo interior, o descentramento do texto – tudo isso torna a leitura um desafio. No fim das contas você sai recompensado; mesmo sabendo que terá de voltar ao livro uma e outras vezes porque se trata de prosa porosa, ambígua ao extremo, leitura que se faz pelas bordas e pelas frestas. Li numa edição da Cosac Naify, bem-cuidada como sempre, embora sem aparato crítico semelhante ao que existe no livro de Poe.

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