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Pacto Secreto

Luiz Zanin Oricchio

25 de setembro de 2009 | 18h48

Apesar de toda a diversidade apresentada pelo mercado exibidor, não é fácil encontrar filme tão ruim quanto este Pacto Secreto, de Stewart Hendler. Não que faltem filmes ruins no mercado. Pelo contrário – é o que mais existe nele, sendo os bons verdadeiras exceções à regra e os muito bons raridades a serem encaradas até com certo sentimento de pasmo. Mas ruim como este é mesmo difícil. Chega a ser um feito.

Em princípio, Pacto Secreto se enquadra naquele filão manjado – horror para adolescentes. O tema já andou suscitando debates e até ensaios: de onde viria essa necessidade da faixa teen de sentir-se aterrorizada? Bem, o assunto dá margem a todas as viagens possíveis e entra pelo campo trôpego da psicanálise de botequim. Já houve até quem dissesse que o terror encena o receio profundo dessa idade intermediária (nem criança nem adulto) e por isso produziria algumas ressonâncias inconscientes. Daí seu apelo. Pode até ser. Mas, como tudo que é do âmbito do cinema, pode ser feito (e até mesmo atender necessidades psicológicas) com maior ou menor talento. Então é nessa linhagem entre Sexta-Feira 13 e A Bruxa de Blair que Pacto Secreto se acomoda. Pena que com nenhuma imaginação.

A história é a de um grupo de jovens, meninos e meninas de um colégio, que resolvem fazer uma brincadeira de mau gosto durante uma festinha de embalo. De péssimo gosto aliás, tanto assim que a coisa termina em morte de uma delas. Para não assumir responsabilidades, as cinco meninas e um rapaz envolvidos resolvem inventar uma versão, sustentá-la e livrar-se das consequências. Fazem um pacto de silêncio. Que será quebrado mais adiante quando ocorrer o tal do “retorno do reprimido”, como dizia Freud, para o devido acerto de contas.

Tal historinha até poderia ser conduzida de maneira mais legal, não fossem os recursos usados por Hendler, todos eles manjados. Se a ideia aqui era assustar as pessoas, o filme pode se considerar um fracasso completo. Todos os truques são velhos, clichês no sentido mais literal do termo e portanto não podem surpreender ninguém, por mais inocente em cinema que a pessoa seja. Ela já viu tudo isso centenas de vezes em qualquer sessão da tarde.

O interessante é que o filme vai ficando tão ruim que lá pelo final nem mais o diretor acredita nele. Hendler leva tudo a sério, pois esse tipo de projeto, para se sustentar, não comporta a menor autoironia. Mas eis que numa das cenas mais sanguinolentas – e das mais ridículas – percebemos, aí sim com surpresa, a tímida presença do humor. É quando uma das garotas, ao dar de cara com um cadáver hediondo, que sai do nada, comenta: “Nossa, como fulana está caída.” Ou, ao se deparar com um serial killer, constata que ele não tem jeito de quem vai dar um bom marido. A notar, se você for mesmo ver essa obra-prima, a presença no elenco da filha de Bruce Willis e Demi Moore, Rumer Willis, que interpreta uma das meninas e tem uma vozinha rouca não negligenciável. E só.

(Caderno 2, 25/09/09)

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