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Oswald, o radical modernista

Luiz Zanin Oricchio

16 de dezembro de 2007 | 13h09

O Cultura, suplemento dominical do Estadão, deu capa a Oswald de Andrade, que teve biografia e coletânea de crônicas (Telefonema)publicados. Recomendo o artigo de abertura de Walnice Nogueira Galvão, maravilhosa ensaísta, que está na capa do Cultura.

Como responsável pelo caderno, fui “afinando” a edição e lendo, ou relendo, coisas de Oswald ao longo da semana. Devemos muito a ele, inclusive pela influência (póstuma) que teve sobre os concretistas e tropicalistas, portanto sobre toda uma vertente da cultura brasileira, presente até hoje no cenário. Cinema, teatro, música, artes plásticas, literatura – nada escapou à referência estimulante da antropofagia oswaldiana. Ano que vem, 40 anos do disco Tropicália, teremos de discutir Caetano, Gil, Tom Zé, mas também Oswald de Andrade, sempre presente, um gigantesco campo gravitacional na cultura brasileira.

Engraçado que no Brasil, pais das antinomias inconciliáveis, passou-se a cerrar fileiras ou no time de Oswald ou no de Mário de Andrade. Os dois amigos passaram a significar categorias opostas, de maneira muito simplificada. Internacionalismo x nacionalismo, caráter dionisíaco x apolíneo; atenção à forma x atenção ao conteúdo; invenção x rigor universitário. E por aí afora.

Talvez o Brasil ande melhor quando puder conciliar Oswald e Mário. Quando puder ser “marioswald”, segundo neologismo da época dos dois. O assunto é vasto.

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