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Oscar 2010: talvez o melhor filme não ganhe nada

Luiz Zanin Oricchio

05 de março de 2010 | 08h04

A disputa do Oscar 2010 virou uma espécie de Davi x Golias. Avatar, o gigante, já é o filme que mais arrecadou em toda a história (mas ainda não é o de maior público). Guerra ao Terror, o Davi da vez, passa muito longe disso. Apenas para ficar em números brasileiros: até agora Avatar teve 8,5 milhões de ingressos vendidos (cerca de R$ 96 milhões arrecadados) contra um público de 63 mil espectadores (pouco mais de R$ 600 mil) de Guerra ao Terror, segundo dados do Portal Filme B, especializado em mercado cinematográfico.

A disparidade é enorme. Mas, talvez, como no relato bíblico, o menor derrote o maior. Os sinais já estão surgindo aqui e ali. O último deles foi a grande vitória que Guerra ao Terror infligiu sobre Avatar no Bafta, o prêmio do cinema inglês. No Oscar, talvez eles dividam os principais prêmios, mas o que talvez esteja pintando é que Avatar, antes de tudo um enorme prodígio da tecnologia, arrebate os prêmios técnicos, deixando escapar os prêmios “artísticos” para outros concorrentes, em especial Guerra ao Terror.

São dois bons filmes. Nada excepcionais, para dizer a verdade. Pode, portanto, se dar neste Oscar o que já aconteceu tantas vezes na história da premiação da Academia, ou seja, que o melhor filme do ano fique sem reconhecimento. Refiro-me ao inteligente, surpreendente e inspirado filme dos irmãos Ethan e Joel Coen, Um Homem Sério, lançado modestamente a semana passada no Brasil. Com apenas duas indicações (filme e roteiro), o que fará esse nanico diante das nove indicações cada um que têm Avatar, de James Cameron, e Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow?

Provavelmente nada. No entanto, em termos de cinema, deixa os dois no chinelo. É o mais autobiográfico trabalho dos Coen e põe em cena um homem atormentado da comunidade judaica de Minnesota que consulta três rabinos quando seu mundo desaba. Uma bela comédia dramática, filme para rir – e pensar, atividade que, como se sabe, não dói, dá prazer e não tem contra-indicações. Mas cada vez menos o cinema comercial acredita nisso.

Boas apostas nas outras categorias são Carey Mulligan (Educação), como atriz, e Jeremy Renner (Guerra ao Terror) como ator. Morgan Freeman, como Mandela (em Invictus) também está no páreo. Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) e Mo’nique (Preciosa) são os prováveis vencedores como coadjuvantes. E A Fita Branca, impressionante trabalho de Michael Haneke sobre as raízes do autoritarismo, parece não ter concorrentes na categoria de filme estrangeiro.