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E o Oscar 2008 foi para… Onde os Fracos Não têm Vez

Luiz Zanin Oricchio

24 Fevereiro 2008 | 23h27

Boa vitória para os Coen, com melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante (Javier Bardem). Era um resultado previsível, dentro da lógica. Nem sempre a lógica prevalece. Neste caso aconteceu. Para o bem do cinema entendido como arte adulta.

Abaixo, os premiados:

Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez´
(Deu a lógica. Não tinha nenhum filme que fosse páreo para ele. É um verdadeiro filmaço, duro, seco, rigoroso no plano formal. Não apresenta muita saída em seu conteúdo. Coisa para adultos)

Direção: Joel e Ethan Coen por Onde os Fracos não Têm Vez
(Era o que tinha de ser. Um trabalho ultra rigoroso de direção.)

Ator: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro
(Barbadíssima. Todo mundo apostava nele)

Atriz: Marion Cotillard, por Piaf
(Era a favorita, mas nunca se sabe de antemão. Fez-se justiça. Seu trabalho em Piaf é magnífico.)

Atriz Coadjuvante: Tilda Swinton por Conduta de Risco
(Relativa surpresa. Eu teria apostado em Cate Blanchett por Não Estou Lá)

Ator coadjuvante: Javier Bardem, por Onde os Fracos Não Têm Vez
(Essa, a maior barbada do Oscar. Não tinha para mais ninguém)

Roteiro original: Diablo Cody por Juno
(Taí um prêmio original mesmo, embora a ex-stripper e blogueira fosse tida como favorita. O que não diminui o mérito da história e nem a força dos diálogos que ela escreveu. Moça prendada.)

Roteiro adaptado: Joel e Ethan Coen por Onde os Fracos Não Têm Vez
(Também aqui, a adaptação que os irmãos fizeram do romance de Cormac McCarthy No Place for Old Men era favorita)

Documentário: Taxi to the Dark Side
(Não vi o filme, mas o discurso do diretor foi a primeira paulada firme em Bush e sua política externa. A ala liberal americana percebe que o seu país tomou o caminho de dark side, do obscurantismo)

Fotografia: Sangue Negro
(Pode ser. Não acho que seja um trabalho que se destaca em relação aos outros indicados. Mas não faz feio).

Filme Estrangeiro: Os Falsários (The Counterfeiters) Áustria
(Não vi. Mas fiquei com pena de ignorarem o 12, de Nikita Mikhalkov, filme de muita emoção)

Animação: Ratatouille
(Outro favoritismo absoluto)

Direção de arte: Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníacos da rua Fleet
(Bom prêmio para a direção de arte de Dante Ferreti. Afinal, o homem já trabalhou até com o Fellini…)

Trilha sonora: Desejo e Reparação
(Gosto é gosto. Para o meu, a trilha de Dario Marianelli é o que o filme tem de pior. Torna-o excessivo e contraindicado para diabéticos)

Figurinos: Elizabeth – a Era de Ouro
(Eu preferia Piaf. Mas não voto na Academia…)

Maquiagem: Piaf – Hino ao Amor
(Enfim…Quem transformou a gata Cotillard na acabada Piaf merece não um Oscar mas um Nobel)

Efeitos Especiais: A Bússola de Ouro
(Pode ser, como pode não ser. Meio indiferente)

Edição de Som: Ultimato Bourne
(É bom, mas eu daria para Onde os Fracos não Têm Vez)

Montagem: Ultimato Bourne
(É, de fato, uma montagem impressionante)

Mixagem: Ultimato Bourne

Canção: Falling Slowly (Once)

Curta-metragem de ficção: Le Mozart des Pickpockets (França)
(Não vi)

Curta de animação: Peter & the Wolf (Inglaterra)
(Idem)

Curta documentário: Freeheld (EUA)