As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Os rivais de Cao Hamburguer

Luiz Zanin Oricchio

17 de janeiro de 2008 | 13h59

Leitores me perguntam se conheço os eventuais competidores de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias no Oscar. Já vi 12, de Nikita Mikhalkov, e A Era da Inocência, de Denys Arcand.

São dois belos filmes. 12 é uma refilmagem de 12 Homens e uma Sentença, de Sidney Lumet, e emprega o argumento original em outro contexto. Agora é um jovem checheno que parece condenado sem apelação até que alguém começa a duvidar da sua culpa. Cinema meio aparentado a teatro (não é crítica)e aquela proverbial dose de humanismo de Mikhalkov, de quem adoro Urga. Vi o filme em Veneza e, apesar de um final meio questionável, me deixou muito emocionado. Esse dado, a emoção, não é um termômetro crítico, mas de sensibilidade. Acho que, mesmo num mundo cínico, é impossível viver sem acreditar um pouco nos outros. Posso estar enganado.

Já A Era da Inocência é brilhante indo na direção contrária. Arcand constrói uma verdadeira distopia do mundo contemporâneo, com a competição e o consumismo desumanizando completamente mesmo as sociedades ditas mais evoluídas. O engraçado é que o título original não mente como a tradução brasileira: L’âge des Tenèbres diz bem a que vem – A Idade das Trevas. Que é a nossa.

São dois senhores competidores, na minha opinião. Mas não estão léguas submarinas de vantagem em relação ao filme de Cao Hamburguer que, também com uma proposta esteticamente discreta, é muito bom. E também, por que não dizer?, emocionante.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.