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Os reflexos do baile *

Luiz Zanin Oricchio

14 de maio de 2013 | 09h08

Afinal, foi o Corinthians que jogou bem demais no primeiro tempo ou o Santos que jogou muito mal? A pergunta parece aquela publicidade do biscoito que vende mais porque está sempre fresquinho ou está sempre fresquinho porque vende mais. Mas acho que vai um pouco além disso e pode nos dizer alguma coisa sobre a partida do próximo domingo na Vila.

Sem dúvida, o Corinthians voltou a ter aquela pegada que o levou aos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes. Uma implacável marcação por pressão, um entrosamento e unidade tática dificilmente encontráveis por aqui. Mas também me parece verdade que o Santos fez um primeiro tempo abaixo da crítica, fruto, entre outras coisas, da escalação errada de Muricy Ramalho. Não vou aqui fritar o treinador, para mim um dos mais competentes do País. Mas que ele errou ao escalar Miralles e, em especial, Marcos Assunção, parece fora de dúvida. Tanto assim que voltou para o segundo tempo sem os dois. Com Felipe Anderson e André o time reagiu e o que se viu foi outro jogo.

Desse modo, acho que o primeiro tempo foi uma combinação de dois fatores, soma da competência corintiana com a incompetência santista. Se o placar refletisse o que foram esses 45 minutos (47, na verdade), o Corinthians teria virado com três gols de vantagem. Como o jogo se chama futebol, ficou apenas em 1 a 0. Barato para o time santista. Já o segundo tempo foi mais equilibrado, fazendo sentido que Corinthians e Santos tenham marcado um gol cada. Placar final, 2 a 1, que dá aos santistas a esperança de revertê-lo na Vila. E por que não? Basta ao Santos ganhar por um gol de diferença para levar a disputa aos pênaltis. Ou vencer por dois e ganhar o quarto título paulista consecutivo. Mas, cá entre nós, tem de apresentar muito mais futebol do que o mostrado no domingo (mesmo no segundo tempo) se quiser vestir a faixa mais uma vez.

Há alguns outros fatores em ação. Nesta semana o Santos descansa e o Corinthians trabalha. E como trabalha! Tem de passar por nada menos que o Boca Juniors para ir adiante na Libertadores. E não joga pelo empate, não. Tem de vencer. Pelo menos por 1 a 0 para decidir nos pênaltis. Em tese, tem pela frente um desafio tão grande quanto o do Santos no domingo.

É verdade que este é o pior Boca dos últimos tempos. Mal classificado no Campeonato Argentino (18.º lugar!), com seu principal jogador, Riquelme, ainda como dúvida, o Boca tem o grande trunfo em seu técnico, Carlos Bianchi, quatro vezes campeão da Libertadores e fama de se dar sempre bem contra o futebol brasileiro. Ok, técnicos têm seu peso, mas não entram em campo e jogam. Por melhores estrategistas que sejam, precisam de jogadores para colocar em prática o que imaginam na prancheta. E, ao que parece, falta a Bianchi essa matéria-prima. Mas, enfim, o Boca é sempre o Boca, embora o Corinthians já tenha adquirido, ano passado, a prática de enfrentá-lo e derrotá-lo.

De modo que são vários os cenários do jogo de quarta-feira e que podem ter reflexos sobre a partida de domingo, como se a Libertadores dialogasse com o Paulistão. O Boca pode amarrar o jogo e conquistar um empate ou mesmo arrancar uma vitória no Pacaembu e assim eliminar o Corinthians. Ou, o que é mais provável, o Corinthians passa pelo Boca Juniors num jogo difícil e exaustivo.

No primeiro caso, chega com certo desânimo à Vila, mas também com a convicção de que o título paulista é a única compensação para um primeiro semestre ruim. De qualquer forma, como a derrota costuma abaixar o moral da tropa, um tropeço do Corinthians pode beneficiar o Santos. No segundo caso, vitória difícil do Corinthians sobre o Boca, o Santos enfrentará um time talvez cansado, mas feliz e embalado. São tantas as alternativas que, a rigor, o Santos só tem uma: fazer, em uma semana, o time apresentar o futebol que até agora não jogou.

* Coluna de futebol publicada no Esportes do Estadão

 

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