As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Os paulistas na pior *

Luiz Zanin Oricchio

01 de outubro de 2013 | 19h54

Outro dia escrevi uma coluna sobre o ridículo que paira sobre nós sempre que fazemos previsões. Como a me dar razão: quem poderia pensar que a Portuguesa de Desportos, a nossa querida Lusa, seria o time sensação entre os paulistas? Ninguém, não é? E, no entanto, depois dos últimos resultados, em especial esse sapeca de 4 a 0 aplicado no Corinthians, a conclusão se impõe. A Lusa fez o que quis com o atual campeão do mundo.

O negócio é o seguinte: num campeonato mais uma vez nivelado por baixo, a Portuguesa tem o mérito de ser um time bem arranjado, com jogadores aplicados e que suam (e honram) a camisa. Tem, com isso, obtido resultados excepcionais, como este de domingo. Até onde pode ir? Não se sabe. Num campeonato no qual todos, com exceção do Cruzeiro, tem oscilado, não dá para se aventurar em projeções. Mas, aconteça o que acontecer daqui para a frente, a Lusa, embora na 12ª posição, já pode ser eleita o fenômeno paulista neste campeonato no qual os grandes da Pauliceia Desvairada – e da Baixada – a andam tão mal.

Refiro-me, é claro, aos que estão na série A, já que o Palmeiras deve subir com muita facilidade e antecedência. Está sobrando e mais uma vez comprova que o desnível entre a série A e a B é muito grande. Mesmo com elencos fracos, os grandes times, quando caem, voltam de imediato.

Já os três que estão na série A devem tomar cuidado se quiserem nela permanecer para a disputa do ano que vem. A derrocada do Corinthians é, ao lado da débâcle do São Paulo a que mais chama a atenção. Onde foi parar aquele time no qual era tão difícil fazer um gol? Cadê a solidez defensiva, a aplicação tática em todo campo, aquela vibração que entrava tanto em sintonia com a torcida? A pergunta, depois da sova de domingo passa a ser: até onde o Timão pode cair? Tite conseguirá reverter essa queda livre ou será engolido pela crise que já se avizinha?

O São Paulo parecia ter tomado jeito, mas Muricy, que começou arrebentando, com três vitórias seguidas, já está a dois jogos sem vencer. Para quem viu a partida contra o Grêmio, fica a impressão de que o São Paulo talvez merecesse sorte melhor. Há aquele pênalti discutível, que tirou Rogério do sério, e também os gols perdidos. O Tricolor não jogou mal. O Grêmio soube se aproveitar de uma única chance criada. Como se diz nessas ocasiões, foi mais eficiente. De toda forma, o pesadelo parece voltar ao Morumbi. Na porta da zona de rebaixamento, o São Paulo, a continuar desse jeito, pode lutar até o fim do campeonato apenas para não cair – o que é o pior cenário do mundo para um clube tido como “diferente”, na prosódia do seu presidente.

O Santos tem mostrado e demonstrado toda a sua irregularidade. Empatou (e quase perdeu) do lanterna Náutico na Vila Belmiro. Previsivelmente, perdeu do Atlético MG. Nenhuma surpresa quanto a esse resultado. Mas perder dois pontos para o fraco time do Náutico na Vila já é demais. Claudinei tem dito que falta ao time maturidade para controlar os jogos. Esse é um dos problemas. Mas não era ele o técnico justamente escolhido para promover os valores das categorias de base? Agora faltam veteranos. Claro, é da mescla que surgem os bons times. Mesmo assim, se você olhar de perto, verá que há jogadores experientes no elenco. Só que eles estão rendendo muito pouco. Oscilam demais. O Santos vai se ajeitando pelo meio da tabela. Longe do G-4 e não tão longe assim do descenso. Uma campanha medíocre.

Em meio a essa pobreza, uma única luz – o pleito dos jogadores para reformulação do futebol brasileiro. Já que os dirigentes são completamente inoperantes, cabe aos atletas pensar na própria saúde e também na qualidade do futebol aqui jogado. Se isso vai dar em alguma coisa, não sei. Mas algo precisa ser feito. O ex-país do futebol continua devendo entre as quatro linhas. E, mais ainda, fora delas. Talvez o fracasso dos paulistas tenha algo a ver com esse caótico estado de coisas.

* Coluna publicada no Esportes do Estadão

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: