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Os impasses da ironia no Brasil

Luiz Zanin Oricchio

13 Novembro 2006 | 16h12

Creio que foi o Millôr Fernandes quem disse que era muito perigoso o uso da ironia no Brasil. A ironia, no entanto, não é um bicho de sete cabeças. Trata-se apenas de uma figura de linguagem que consiste em inverter o sentido de uma frase, dizendo-se o contrário do que se pretende. Isso para que o destinatário a interprete com sua inteligência e fique feliz com isso, pois estará fazendo uma leitura ativa. No Brasil, no entanto, sempre corremos o risco de sermos “entendidos” de maneira literal e portanto mal-humorada. E então teremos de “explicar” a ironia, com a mesma eficácia com que se explicam anedotas ou trocadilhos. Era por isso que Millôr propunha a adoção de um sinal ortográfico, o ponto de ironia, que assim passaria a figurar ao lado do ponto de interrogação, do ponto final, do ponto e vírgula e até das reticências.