Os dois lados da guerra, segundo Clint Eastwood
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Os dois lados da guerra, segundo Clint Eastwood

Luiz Zanin Oricchio

11 Janeiro 2007 | 15h54

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Clint Eastwood dirigiu dois filmes que se complementam: A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima. Ambos sobre a mesma batalha de Iwo Jima, em 1945. O primeiro filme é o ponto de vista dos vencedores, o segundo, dos vencidos. Vi hoje de manhã A Conquista da Honra, cujo título em inglês é Flags of Our Fathers. Fiquei impressionado. Como disse um amigo, o Clint não consegue mais errar. E fica mais ousado e melhor à medida em que envelhece. Não vou fazer uma crítica do filme, que deixo para quando ele estrear. Basta dizer, por enquanto que 1) poucas vezes vi batalhas tão bem filmadas como as deste filme; 2) o centro da proposta de Clint Eastwood é desconstruir e relativizar a noção de herói. Sem querer, talvez, ele acaba quase citando a frase de Brecht que dizia que pobre era uma nação que precisava deles. Mas, ao mesmo tempo em que os demitifica, trata-os com carinho e compaixão infinitos. Mal posso esperar para ver o segundo filme, o que retrata essa passagem da guerra pelo ponto de vista dos japoneses, para checar se mantém o pique do primeiro.

Apenas mais uma observação, esta extra-cinematográfica: toda guerra cria uma mitologia a posteriori. É a sua maneira de justificar-se perante a História, como se diz no próprio filme. Alguém conseguirá criar uma mitologia convincente em torno da guerra do Iraque?