Os cem anos de Paulo Emilio Sales Gomes
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Os cem anos de Paulo Emilio Sales Gomes

Luiz Zanin Oricchio

17 de agosto de 2016 | 12h26

paulo emilio

 

Neste ano comemoram-se os 100 anos de nascimento de Paulo Emilio Salles Gomes (1916-1977) e o Itaú Cultural promove seminário para lembrar a figura e a obra deste que, para muita gente (inclusive este que vos escreve), foi o mais importante crítico de cinema do país.

As homenagens devem se reproduzir aqui e ali. Por força, no Festival de Brasília (20-27 de setembro), o mais antigo e tradicional do país, criado por Paulo Emilio e equipe, em 1965, quando ele lecionava na UnB. Veremos que ventos nos vêm do Planalto neste ano de golpe político.

Já escrevi várias vezes sobre PE e não pretendo me repetir. Apenas acrescento o seguinte: mais do que nunca é hora de estudarmos seu legado, distribuído entre vários livros. PE era um agudo analista dos filmes, mas não os deixava fora do contexto histórico em que eram pensados e produzidos. Sua análise era total, não parcial, dialética e não dogmática e, se não dispensava a interpretação da forma, nem por isso incorria no reducionismo formalista, como é o caso de muitos críticos que se querem sérios e só sabem ser chatos, reduzindo filmes a seus esqueletos. São mais radiografistas que críticos.

Enfim, o fato de PE ser relativamente desconhecido por boa parte dos que hoje escrevem sobre cinema diz muito sobre a miséria da crítica de cinema atual.

Abaixo, a programação do seminário, com texto introdutório do seu curador, Carlos Augusto Calil:

Seminário 100 Paulo Emílio

Evento acontece dias 24 e 25 de agosto no Itaú Cultural, com entrada franca

Contornando o monumento

Morto precocemente, no auge de seu prestígio intelectual como crítico de cinema e professor, Paulo Emílio ainda viria a obter amplo reconhecimento como escritor de ficção, com as inusitadas novelas de três mulheres de três pppês, publicadas num já remoto 1977.

A sua imagem então cristalizou-se como referência incontornável no campo dos estudos de cinema, do pensamento crítico sobre o país e como escritor original. Foi apropriado pela Universidade, pela política oficial cinematográfica, pela imprensa, pelas instituições; tornou-se um totem.   

Sua obra, salvo a ficção, não alcançou público mais amplo; ficou sequestrada pelos especialistas, justo ele que não se considerando um especialista fugia do gueto.

Nos últimos dez anos, uma nova geração de professores e críticos debruçou-se sobre a obra de Paulo Emílio, com empenho em abordar a estátua. Os discípulos que com ele conviveram se preparam para deixar a cena e passar o bastão aos sucessores.

O espírito deste seminário, no ano do centenário de Paulo Emílio Sales Gomes, é promover o encontro do testemunho da ação do homem invulgar com a perspectiva crítica do seu legado, agora depurado pelo tempo implacável. Libertar Paulo Emílio da consagração que estiola.        

Carlos Augusto Calil, curador

 

Programa

24 de agosto, quarta-feira

15h – 16h15: Palestra – História e ideologia em Paulo Emílio, por Julierme Morais (Universidade Estadual de Goiás). O célebre ensaio “Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento” foi a culminância do laborioso esforço do historiador amador, que se viu obrigado a elaborar uma História do Cinema Brasileiro, com base em documentos precários e testemunhos truncados.  

16h30-17h30: Projeção de filmes comentada por Carlos Augusto Calil. Programa: A propósito de Nice (Jean Vigo, 1930), Engenhos e usinas (Humberto Mauro, 1955), imagens de Eva Nil (anos 1920).Paulo Emílio dedicou aos cineastas Jean Vigo e Humberto Mauro duas monografias exemplares, em que analisou as obras deles à luz das respectivas vidas. A palestra irá ilustrar – e interpretar – a abordagem do autor.

18h – 19h30: Mesa 1 – Formação intelectual e trajetória do militante, por Ismail Xavier (ECA/USP) e Eduardo Morettin (ECA/USP), com mediação de Patrícia Moran (Cinusp). A geração de Paulo Emílio, a da revista Clima, cresceu à sombra do Modernismo, à qual acrescentou a vertente crítica e a política de esquerda. No grupo, essa combinação foi levada ao extremo por Paulo Emílio, que o liderou politicamente. A história e a pesquisa do cinema brasileiro foram decisivas na trajetória intelectual dele, a partir dos anos 1950, com repercussão na monografia dedicada a Humberto Mauro.

20h – 21h30: Mesa 2 – Paulo Emílio e o moderno cinema brasileiro, por Carlos Diegues (Rio de Janeiro), Pedro Plaza Pinto (Universidade Federal do Paraná) e Cyntia Nogueira (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), com mediação de Roberto Cruz (SAC). A conversão de Paulo Emílio ao cinema brasileiro foi largamente estimulada pela eclosão do Cinema Novo, que elevou a contribuição do cinema ao plano superior das artes no Brasil. Os interlocutores de Paulo Emílio na época estavam no Rio e na Bahia.

25 de agosto, quinta-feira

15h – 16h15: Palestra – O cômico popular na ficção de Paulo Emílio, por Teodoro Rennó Assunção (Universidade Federal de Minas Gerais). Em sua breve obra de ficção, composta por três mulheres de três pppês e Cemitério, avultam personagens cômicos de origem popular, em ambientes que lhes são hostis.

16h30-17h30: Projeção de registro do Encontro de Paulo Emílio com o poeta Giuseppe Ungaretti,ocorrido em 1967, no Instituto de Estudos Brasileiros, no prédio da História e Geografia (USP), comentada por Sérgio Muniz. Paulo Emílio entrevista Giuseppe Ungaretti, que acaba de chegar da Bahia, e recolhe suas impressões. Em seguida, Ungaretti lê a sua tradução para o italiano de poemas de Pau-Brasil, de Oswald de Andrade.

18h ­– 19h30: Mesa 3 – Permanência de Paulo Emílio, por Olga Futemma (Cinemateca Brasileira), José Geraldo Couto e Carlos Augusto Calil (ECA/USP). O legado de Paulo Emílio nas instituições, na crítica, no pensamento, na universidade, na política.

20h – 21h30: Mesa 4 – Paulo Emílio pela nova geração, por Francis Vogner, Daniel Caetano e Adilson Mendes, com mediação de Dora Mourão (SAC). Uma nova geração, composta de críticos e historiadores, pesquisa, revela e apropria-se do pensamento de Paulo Emílio.

 

Promoção: Cinemateca Brasileira, Sociedade Amigos da Cinemateca, Cinusp Paulo Emílio, CTR – Departamento de Cinema, Televisão e Rádio (ECA/USP), Itaú Cultural

Local: Itaú Cultural

Entrada franca

 

 

 

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