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Os (A)Normais 2

Luiz Zanin Oricchio

28 de agosto de 2009 | 19h21

Ninguém duvida que Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães sejam ótimos atores cômicos. Não é por eles que Os Normais deixa de ser um filme interessante. O problema é que o material oferecido à dupla é dos mais pobres. O grande déficit de Os Normais passa pelo roteiro. Nem tanto pelo argumento – o desejo do casal de experimentar um ménage à trois – mas por seu desenvolvimento.

Dificilmente alguma situação surpreende o espectador. E, como se sabe, o cômico depende muito do fator surpresa. Quando tudo se revela previsível, as pessoas já se preparam para achar graça. E, quem está preparado para rir, não ri tudo o que poderia. Resumindo: falta imaginação criativa para desconcertar o espectador, tirá-lo fora do eixo e fazê-lo rir com aquilo que não espera. Pelo contrário: tudo é esperado, a partir do momento em que você embarca no pressuposto da história.

Isso não quer dizer que uma ou outra situação não seja razoavelmente bem bolada. Em particular, aquela em que o casal confunde uma lutadora de artes marciais com uma candidata bissexual ao ménage. Aliás, essa palavra que, em francês, pode dizer coisas inocentes como mulher do lar ou arrumadeira, presta-se a alguns equívocos interessantes quando a parceira sondada é uma francesa interpretada por Ana Paula Arósio.

Acontece que esses bons momentos são raros. E ralos demais para segurar a duração do filme. Assim, nem mesmo um público cúmplice e devidamente domesticado pela origem televisiva da coisa sente-se capaz de se divertir como esperava. É claro que, em relação àquilo que é visto na telinha, existe alguma ousadia a mais, em especial no vocabulário. No Brasil, é muito fácil fazer as pessoas rirem – basta falar um palavrão, o que é um fenômeno que deveria ser estudado. Mas também é claro que esse facilitário acaba cansando.

Na sessão para a imprensa de todo o Brasil, lotada como se fosse um evento comercial de sucesso, no começo as pessoas riam muito. Depois, esses risos foram rareando e acabaram dependendo muito do talento de Fernanda e Luiz Fernando em fazer milagre com o texto fraco de que dispunham. É pouco. É pobre demais, na verdade.

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