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Os 3

Luiz Zanin Oricchio

11 de novembro de 2011 | 09h58

Os 3 é a primeira incursão solo de Nando Olival na direção de longas-metragens (antes compôs a parceira com Fernando Meirelles em Domésticas). Nessa estreia faz uma reflexão sobre a juventude, a privacidade e os reality shows. Ou seja, sobre três vertentes articuladas da contemporaneidade. O culto ao jovem, a tendência ao exibicionismo e a exploração comercial dos dois primeiros.

Não falta talento à maneira como o filme é conduzida. Basta citar uma das primeiras cenas e que define o encontro entre os personagens. Numa balada, dois rapazes e uma moça fazem fila na porta do único banheiro da casa. Resolvem entrar juntos e nasce aí uma amizade que desemboca no plano de morarem juntos num apartamento. Imóvel que lembra muito um loft nova-iorquino e dá o indispensável toque cosmopolita ao projeto.

Algumas sequências podem lembrar filmes inspiradores como Jules e Jim, de François Truffaut, ou Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci. Mas logo se verá que o ménage proposto por Olival é um tanto diferente e bem menos corrosivo que os dos diretores europeus. A novidade é a introdução da ideia do reality show, que interfere na relação e subverte o pacto de amizade dos personagens. Há aí a ideia contemporânea de que não existe mais algo como a invasão da privacidade. O que há é “evasão” da privacidade, na medida em que a exposição se torna fonte de lucro para quem a patrocina e atalho para a celebridade para quem a pratica.

É pena que as premissas esboçadas não sejam levadas às suas consequências lógicas. Estas, talvez, poderiam parecer ofensivas à moral média. Em época de recidiva moralista, todo cuidado é pouco.

(Caderno 2)

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