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Olhar de Cinema: para mostrar o lado B

Luiz Zanin Oricchio

06 de junho de 2013 | 10h34

O Olhar de Cinema, de Curitiba, está apenas na sua segunda edição, mas já virou uma mega mostra, daquelas que impõem respeito pelas dimensões. Para conferir: de hoje ao dia 14 exibirá na capital paranaense nada menos que 104 filmes de 26 países, entre curtas, médias e longas-metragens. Além disso, contará com o aparato complementar usual dos atuais festivais de cinema – debates, seminários, encontros e oficinas. É operação de grande porte, mobilizando várias salas de exibição e chamando a atenção da cidade.

O festival é competitivo e distribui prêmios em quatro modalidades: melhor longa e curta internacional e melhor longa e curta brasileiro. Além das mostras competitivas, a mostra curitibana reserva alguns eixos temáticos especiais para esta edição – o Foco Alemanha, com uma seleção de nove filmes do país, traçando um panorama das transformações pelas quais passou a cidade de Berlim ao longo do século 20 e início do 21. O cineasta paulistano, de origem gaúcha Carlos Reichenbach, falecido ano passado, será homenageado com uma seleção de oito dos seus longas-metragens.

Festival de corte duplo, nacional e internacional, o Olhar de Cinema terá na competitiva brasileira de longas-metragens, um dos seus focos principais de interesse. Concorrem filmes como A Floresta de Jonatas, de Sérgio Andrade, Kátia, de Karla Holanda, Mataram meu Irmão, de Cristiano Burlan, Matéria de Composição, de Pedro Aspahan, O Exercício do Caos, de Frederico Machado.

A proposta do Olhar de Cinema, segundo seus criadores e curadores Aly Muritiba, Marisa Merlo e Antônio Jr., é “promover reflexões sobre o cinema e formar novos olhares, dando destaque a curtas e longas pouco comuns nas salas de cinema brasileiras”. De fato, dando-se uma olhada na programação brasileira, o que dela já se conhece não é mesmo de molde a frequentar os cinemas de shopping. O mesmo se pode deduzir de filmes estrangeiros desconhecidos vindo de países como Israel (Migrash), Bélgica (Oh Willy), Espanha (Koala) e Finlândia (Gates of Life). Mas também da Letônia (Documentarian), de Portugal (Cama de Gato) e do Líbano (The Reconstitution of a Struggle).

Olhar de Cinema é um festival organizado por cinéfilos, pessoas preocupadas em garimpar propostas cinematográficas originais, que nascem aqui e ali, em meio à mesmice comercial da chamada sétima arte. É cinema lado B. Quem se lembra dos antigos LPs, aqueles de vinil, que agora voltam à moda, sabe que o lado B muitas vezes era melhor que o mais chamativo lado A.

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