Olhar de Cinema 2016 mostra o surpreendente ‘Anna’
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Olhar de Cinema 2016 mostra o surpreendente ‘Anna’

Luiz Zanin Oricchio

10 de junho de 2016 | 10h10

 

anna

CURITIBA – O melhor presente que o Olhar de Cinema poderia entregar aos espectadores foi dado e atende pelo nome de ‘Anna’, o surpreendente documentário de quase quatro horas há pouco restaurado pela Cineteca di Bologna. O filme, de Alberto Grifi e Massimo Sarchielli, é de 1975 e não tenho notícia de que tenha sido exibido antes no Brasil. Acompanha uns dois meses de vida da personagem-título, uma graciosa sem-teto de 16 anos de idade, grávida de oito meses, que os diretores descobrem na Piazza Navona, em Roma.

Filmado com a então incipiente técnica de vídeo, e depois telecinado em 16 mm, o registro é não apenas o desenho de uma personagem, mas um mergulho poderoso na mentalidade dos anos 1970, numa sociedade particularmente em transe como era a italiana naquela ocasião. Enquanto tentam dar algum suporte à adolescente sarda, os próprios cineastas imergem no mundo caótico e libertário do qual fazem parte.

Não existe distância entre quem filma e quem é filmado.  Enquanto somos apresentados ao mundo de Anna, explodem manifestações anticapitalistas e feministas, que são reprimidas como as de hoje. Hippies misturam-se a vagabundos de rua e militantes de esquerda. O debate político corre solto. Enfim, Anna é obra de potência única. Quem estiver em Curitiba, programe-se para a reapresentação (Sábado, 14h no Cineplex Batel 4). Quem não estiver, dê um jeito de arrumar este filme. É incontornável. Dica: tem no Youtube.

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