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Olhar de Cinema 2016

Luiz Zanin Oricchio

08 de junho de 2016 | 16h47

 

Já estou em Curitiba. Mas podem ficar descansados – vim com minhas próprias pernas, sem condução coercitiva, para o festival Olhar de Cinema, como tenho feito nos últimos anos. O ‘Olhar’ é um desses festivais novos – esta é sua quinta edição – que vêm reformulando conceitos nessa área. Os outros são o Panorama de Cinema, de Salvador, e o Janela de Cinema, de Recife.

São feitos por gente jovem, cinéfilos, e também cineastas. No Paraná, Aly Muritiba; em Salvador, Claudio Marques, e no Recife, Kléber Mendonça Filho. São panorâmicos, porém têm mostra competitiva. Contemplam a produção nacional mas abrem-se para o estrangeiro. Apostam bastante no cinema de risco, porém guardam um pé na terra, sabendo que precisam dialogar com o público. Enfim, são festivais que vêm dando muito certo. Sempre chego com a maior expectativa. E não saio decepcionado.

Eis o texto de abertura

Com o longa Operação Avalanche, começa hoje em Curitiba a 5ª edição do Olhar de Cinema. O filme, dirigido por Matt Johnson, volta aos anos 1960, durante a Guerra Fria entre as duas superpotências. Na trama, especula-se a existência de um infiltrado soviético incumbido de sabotar o programa Apollo, cuja missão era enviar o primeiro homem à Lua.

Esse é, por assim dizer, o pontapé inicial de uma ambiciosa programação, dividida em várias mostras ou segmentos do festival. Em primeiro lugar, deve-se destacar a mostra competitiva, filé mignon de qualquer festival de cinema. Esta é composta de dez longas-metragens e nove curtas. A proposta é que, embora não renunciando ao caráter de pesquisa de linguagem e experimentação, eles sejam acessíveis ao público, desafio duplo, sempre difícil de cumprir.

Entre os competidores, há três estreias brasileiras: O Estranho Caso de Ezequiel, de Guto Parente, Eles Vieram e Roubaram Sua Alma, de Daniel de Bem, e A Cidade do Futuro, de Cláudio Marques e Marília Hughes. Eles disputam os prêmios com Outro Ano (China), Gulistan, Terra das Rosas (Canadá e Alemanha), Irmãos da Noite (Áustria), Maestà (França), Antonia (Itália), O Vento Sabe que Eu Volto para Casa (Chile) e A Última Terra (Paraguai). Como se vê, um leque diversificado em termos de nacionalidade. Quanto à estética, só mesmo vendo os filmes pois, por sorte, são desconhecidos. Não existe nada mais chato do que festivais que programam obras batidas como se estivessem apresentando novidades. Em Curitiba, os filmes são novos mesmo.

Isso não quer dizer que não haja sessões reservadas ao panorama histórico. Pelo contrário. A mostra Olhar Retrospectivo recorda os 40 anos da morte de Luís Sérgio Person programando algumas de suas obras mais significativas. Da mesma forma, Olhares Clássicos apresenta filmes consagrados em cópias novas. Entre eles, Como Era Verde Meu Vale, de John Ford, Mouchette, de Robert Bresson, e Amarcord, de Federico Fellini.

A mostra Outros Olhares seleciona filmes – curtas e longas – com maior radicalidade de proposta estética. É o setor mais experimental do festival. São, na definição da equipe que o programa, “filmes que fogem do comum e daquilo que estamos acostumados a encontrar nas salas de cinema.” A Mostra Mirada Paranaense, como o nome indica, é reservada à produção local.

Além do cardápio de filmes, Curitiba sediará uma diversificada programação de seminários, com temas como Curadoria e Programação, Mulheres no Cinema, Cultura na Era do Golpe, Conversas sobre Person e Crítica e Curadoria, além de uma Masterclass ministrada pelo diretor Matías Piñeiro, homenageado pelo evento.

 

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