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Obsessões atuais

Luiz Zanin Oricchio

07 de fevereiro de 2012 | 11h57

Amigos, talvez influenciado por colegas do colunismo esportivo, minha obsessão atual se chama Barcelona. Não perco um jogo. E sempre estou à espera de um recital, que não tem vindo. Tenho visto o time catalão empatar ou sofrer para ganhar, como no sábado, contra a Real Sociedad.

Observo a superioridade manifesta do Barcelona em relação ao adversário, traduzida na posse de bola sempre muito mais expressiva. Mas não tenho visto esse valor numérico ser transformado em gols. O próprio Messi anda em maré baixa, ou andava, já que no sábado conseguiu fazer o seu. Vi-o complicar a defesa da Real Sociedad, mas, ao mesmo tempo, sofrer para vencê-la. Duas ou três vezes me pareceu que bota pouquíssima fé em sua perna direita, tanto como tem confiança em sua destreza de canhoto. Heresia falar isso?

Noto que existe um certo pudor dos comentaristas em abordar possíveis deficiências do astro. Compreensível. Como apontar insuficiências em quem já teve a candidatura lançada a maior de todos os tempos? O melhor tem de ser perfeito nesse mundo idealizado dos ídolos absolutos.

Aliás, tenho total compreensão com essa necessidade de erguer o ídolo da hora ao trono máximo e fazer com que o Barcelona pareça um começo absoluto do futebol. Faz parte da vida: toda geração precisa de referências atuais e um ídolo que lhe seja contemporâneo. Para quem começou a ver a bola rolar nos anos 1990 nada mais justo que eleger o Barcelona o maior time de todos os tempos, mesmo sem ter visto os outros. .

A mesma coisa em relação a Lionel Messi. O ídolo do passado é como um intruso, um fantasma que vem de outro tempo para nos assombrar com seus feitos e seus números. No fundo é um indesejado; um chato, que não abre espaço para o sangue novo.

Daí me parecerem um tanto estapafúrdias as comparações entre Messi e Pelé. E profundamente injustas com Messi. Como estabelecer paralelos entre uma carreira já encerrada há tantos anos e outra em pleno andamento? Para compará-las, precisaríamos esperar que Messi pendurasse as chuteiras, quando então seria possível avaliar os feitos de um e de outro, tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo. Quem pode duvidar que Messi termine sua trajetória fulgurante com três Copas do Mundo e mais de mil gols no currículo? Antes disso, me parece, não dá para falar nada. Só dá para tietar.

Clássico. Palmeiras e Santos fizeram um clássico equilibrado, a meu ver. O Santos tem mais talento, o Palmeiras, mais dedicação e coerência tática. O calor insano de Presidente Prudente pesou igual para ambos, mas atingiu menos o time com mais tempo de preparação. O Santos começou a pré-temporada mais tarde, por causa do Mundial. É o calendário. Não há desculpas. O Palmeiras se encorpa com as novas contratações e vai melhorar ainda mais com Barcos e com Wesley, se vier. O Santos manteve Neymar e tem alguns outros destaques em seu elenco. Ganso, por exemplo, se resolver jogar bola ao invés de fazer marola. Agora, com a defesa do Santos nenhum adversário deve se desesperar ou descrer da vitória – ela pode vir a qualquer momento do jogo. É um castelo de cartas.

(Coluna Boleiros)

 

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