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Observação de Solano Ribeiro sobre Uma Noite em 67

Luiz Zanin Oricchio

30 de julho de 2010 | 14h20

Amigos, recebi e-mail do produtor Solano Ribeiro sobre o documentário de Ricardo Calil e Renato Terra. Com a permissão dele, reproduzo-o abaixo.

Jean-Luc Godard chegou a declarar que documentário era a verdade em 24 quadros por segundo. Grande mentira. Por mais verdadeira que seja a captação, as imagens passarão pelas mãos do montador, este sim autor da “verdade” exibida. Você bem conhece os segredos da edição. Falo em função da menção que fez de minha frase na crítica sobre o documentário Uma Noite em 67 – “Um bom show de TV”. Resposta à pergunta não editada: “Naquele momento você sabia estar fazendo história?” Omissão que transforma e diminui minha participação naqueles eventos. O documentário mostra o momento e o depois. Falta um antes, cujo teor, embora registrado nas quase 12 horas gravadas na minha casa, não foi usado na versão final. Falta o relato de meus papos com Caetano e Guilherme Araújo, então seu empresário, sobre a necessidade da MPB deixar de lado sua temática campestre/praieira e olhar para as cidades e seus temas urbanos, aliados ao que acontecia naqueles tempos de “Lucy in the Sky with Diamonds” quando a “Alegria…” do Caretano, depois de prolongado jantar no então Deck da Av. 9 de Julho, contrapôs “…sem lenço e sem documento”. Das tardes onde Chico de Assis, Rogério Duptrat e eu tentávamos fazer com que os “The Six Sided Rockers”, em seguida Mutantes, tocassem moda de viola em suas guitarras. O caminho escolhido por Renato Terra e Ricardo Calil resultou num bom trabalho, mas para quem sabe, está faltando alguma verdade.

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