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O Vencedor

Luiz Zanin Oricchio

06 de fevereiro de 2011 | 20h59

Muita gente não gosta de boxe, mas mesmo estes têm de reconhecer que é o esporte mais adaptável ao cinema. Se são raros os grandes filmes sobre futebol, alguns títulos sobre boxe se tornaram memoráveis, como Punhos de Campeão e Touro Indomável. O Vencedor, de David O. Russel, junta-se à galeria.

É, no fundo, como quase todas boas histórias, uma saga (ou antissaga) familiar. A família é a arena onde bons e maus sentimentos se disputam, assim como o ringue é o quadrilátero que separa os fortes dos fracos. Em O Vencedor, temos, à frente da cena, dois irmãos. Um deles é Dicky (Christian Bale), ex-boxeador muito promissor, agora viciado em crack e às voltas com a lei. Sua principal façanha foi ter provocado uma queda em Sugar Ray Leonard, um dos maiores do mundo em sua categoria. Ou Sugar Ray teria apenas escorregado? A diferença, no mundo do boxe, é imensa, do tamanho de um oceano.

O outro irmão é Micky (Mark Wahlberg), também boxeador, em fase descendente, mas em busca de uma última chance para brilhar. É empresariado pela própria mãe, a melíflua Alice (Melissa Leo, ótima), que não hesita em arranjar lutas desonestas a troco de dinheiro. O contraponto surge quando Micky se apaixona pela garçonete Charlene (Amy Adams), que tenta afastá-lo do círculo familiar.
A dramaticidade da história (baseada em lutador real), o realismo das batalhas no ringue e do próprio ambiente dos personagens faz de O Vencedor um filme de fato muito forte. Mesmo os que não gostam de boxe podem amá-lo. No fundo, é um drama humano e não esportivo. Christian Bale parece imbatível para o Oscar de coadjuvante. Seu personagem inspira repulsa e simpatia. Ao mesmo tempo.

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