O Último Magnata
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O Último Magnata

Luiz Zanin Oricchio

30 de janeiro de 2013 | 16h26

 

Canto do cisne do grande (e controverso) diretor Elia Kazan, O Último Magnata não alcança o cume de seus maiores filmes como Sindicato de Ladrões e Clamor do Sexo, por exemplo, mas nem por isso é banal. Pelo contrário. Baseado na obra de Scott Fitzgerald The Last Tycoon, traz uma visão ácida dos bastidores de Hollywood, à maneira de Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, ou O Jogador, de Robert Altman.

O personagem principal é Monroe Stahr, interpretado por Robert De Niro. Ele é o golden boy de um dos estúdios, tem poder absoluto sobre a feitura dos filmes, do roteiro ao corte final. É implacável. Mas não é o dono do circo. Tem de prestar contas ao chefão (Robert Mitchum), cuja filha está apaixonada por ele. Mas Monroe só tem olhos para uma desconhecida de difícil acesso que um dia passou pelo estúdio. Além disso, anda às turras com os roteiristas que vêm de Nova York e outros lugares atrás de dinheiro e não se adaptam à rotina de Hollywood. Aconteceu com o próprio Fitzgerald, com William Faulkner e com tantos outros. Essa inadaptação de escritores à linha de montagem dos estúdios deu origem a outro filme notável, Barton Fink,dos irmãos Coen.

Kazan, como se sabe, deu um péssimo passo ao denunciar colegas comunistas no tempo do macarthismo. Passou o resto da vida tentando se justificar e muitos interpretam Sindicato de Ladrões como uma defesa da delação. É uma leitura possível. Assim como a interpretação mais evidente de O Último Magnata é a da solidão do poder. E, no fundo, de sua inutilidade diante da grandeza da vida – e do amor. O excesso de poder é o que leva Monroe ao fundo do poço, enquanto o que é fundamental lhe escapa.

O tom do filme, recheado de astros e estrelas (além dos citados, há Jack Nicholson e Jeanne Monroe, entre outros) é meio artificial, embora tenha grandes momentos. A adaptação (reverente) do romance de Scott Fitzgerald é de Harold Pinter.

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