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O Theatro e o samba

Luiz Zanin Oricchio

05 de julho de 2008 | 19h04

PAULÍNIA –
A inauguração do Theatro Municipal de Paulínia deu samba. Primeiro com a première do documentário de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor sobre a Velha Guarda da Portela, justamente chamado de O Mistério do Samba. Depois, com o show da cantora Maria Rita, com músicas do seu último CD, chamado Meu Samba.

Claro, antes houve o lado oficial, premiações, etc para dar início às atividades desse enorme e sofisticado teatro, plantado no pólo petroquímico de Paulínia. Quem eles trouxeram como “maestra” de cerimônias? Ninguém menos que a grande atriz do Brasil, Fernanda Montenegro, que fez seu papel elogiando a iniciativa, dizendo-se mulher de teatro e, portanto, emocionada ao presenciar o nascimento de mais um – e daquela envergadura. Houve muitas outras homenagens, a destacar aquela de que foi alvo o diretor Fernando Meirelles, um dos dois cineastas brasileiros mais conhecidos no exterior (o outro é Walter Salles). Fernando recebeu o título de cidadão de Paulínia.

Bem, e o filme? O filme é uma maravilha. Empolgante, tendo como condutores nomes conhecidos da Portela, como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, e mais a cantora Marisa Monte, mas dando voz a figuras menos mediáticas, como Monarco, Jair do Cavaquinho, Casquinha e as velhas tias de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio. Do Rio Zona Norte, o Rio profundo, cheio de uma cultura densa, diversificada, rica, do povo, que todos nós deveríamos conhecer e ter orgulho. Há muita música e muito depoimento nessa celebração do mistério do samba. Sim, porque a arte tem sempre um lado que fica na sombra.

E o que mais? Sim, gostei muito da conversa com o Lula Buarque de Hollanda, pela inteligência sem estrelismos, coisa hoje em dia rara. Me pareceu uma fina pessoa, sensível. Aliás, fineza que se nota no filme, na maneira como trata seus personagens. Anunciou aqui seu próximo projeto: vai filmar um romance do angolano Agualusa, que tem o título de O Vendedor de Passados.

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