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A bola cantada do apagão aéreo

Luiz Zanin Oricchio

27 de dezembro de 2006 | 20h18

Quem viaja muito de avião, como é o meu caso (por razões profissionais), sabe que há tempos a coisa não anda boa nesse setor. Atrasos são habituais há pelo menos dois anos e já haviam se tornado alvos de piadas nos aeroportos. “A que horas é o seu vôo?”, perguntei a um conhecido que encontrei em Congonhas. “Às cinco. Deve sair lá pelas sete, se estiver no horário”, disse, rindo. E assim íamos levando a vida, conformados com atrasos de uma ou até duas horas, tidos como “normais”. “Avião não sai no horário no Brasil”, dizíamos, especialmente depois que a Varig entrou em parafuso e o mercado ficou apenas com a TAM e a Gol. Muitas vezes íamos embarcar e nos diziam que o vôo fora adiado, e mais adiante descobríamos que fora “fundido” com outro, para que não houvesse lugares vagos. Quem já não enfrentou um overbooking na vida? Eu já, várias vezes, e ouvi ofertas sedutoras dos funcionários para ceder meu lugar a outro passageiro. Agora dizem que o overbooking é ilegal. Então vivemos na ilegalidade esses anos todos. Tudo isso para não falar nas incríveis gororobas servidas a bordo (quando servem alguma coisa além de barrinhas de cereais) e no espaço entre as poltronas, cada vez mais exíguos. Como eu não estou em fase de crescimento, excluo a possibilidade de ter ficado mais alto nos últimos anos. O que sei é que viajamos mais apertados do que quem vive de salário mínimo.

Portanto, todas as condições já estavam dadas para que se instaurasse o caos aéreo. E não dizíamos nada, esperando que tudo se revolvesse por mágica. Fomos empurrando com a barriga. Então veio o acidente com o jato da Gol, a greve dos controladores de tráfego aéreo, e o resto vocês já sabem.

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