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O Senhor do Labirinto

Luiz Zanin Oricchio

14 Dezembro 2014 | 23h12

O Senhor do Labirinto, de Geraldo Motta, procura recriar a trajetória de Bispo do Rosário (1909-1989).

Tarefa ingrata, dadas as dimensões do personagem. O sergipano Arthur Bispo do Rosário era marítimo e lutador de boxe quando passou a sofrer de alucinações auditivas e visuais. Dizendo-se enviado de Deus e guiado por um batalhão de anjos, perambulava pelas ruas do Rio de Janeiro.

Foi internado na Colônia Juliano Moreira. Só, em sua cela, passou a desenvolver uma obra monumental que, anos depois, seria reconhecida e passou a ser exposta em galerias e muses. Ganhou status de arte e se apodera do espectador por sua misteriosa força evocativa. Basicamente, compõe-se de mantos, assemblages e pinturas.

No filme, Bispo é vivido por Flávio Bauraqui, em atuação nuançada e comovente. Irandhir Santos faz Wanderley, funcionário da colônia que, através dos anos, protege o artista e sua arte. Maria Flor vive Rosângela, a estagiária eleita como objeto de amor platônico por Bispo do Rosário.

Bispo dizia seguir ordens, vozes. Sua obra era uma tentativa de
refazer o mundo. Reconstruir um mundo em ruínas e dar-lhe sentido. De certa forma, é o que faz todo artista. Ou tenta fazer. Falta ao filme tentar penetrar esse mistério da criação, ainda mais em mente diagnosticada de modo sumário como esquizofrênica paranoide.

A descrição do ambiente hospitalar não foge aos clichês. Há partes interessantes no todo. O que há de mais comovente é a amizade sincera de Wanderley por Bispo. Porém, o “envelhecimento” dos atores através da maquiagem é precário.