O Segredo da Porta Fechada
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O Segredo da Porta Fechada

Luiz Zanin Oricchio

27 de novembro de 2012 | 22h52

Talvez o mais psicanalítico dos filmes de Fritz Lang. Herdeira se apaixona por um homem no México e três dias depois está casada, sem que nem ela compreenda muito bem o motivo. A narração, em off e em primeira pessoa, acompanha o filme do começo ao fim.

Na sequência, o casal vai residir na mansão do marido, num ambiente que lembra muito Rebecca, de Hitchcock. Ela não sabe muito bem quem é o homem com quem se casou e vai descobrindo aos poucos um ambiente mórbido com o qual não contava. A história, narrada através de um jogo de sombras e luz, herança do expressionismo alemão, do qual Lang foi um dos mestres, conduz o espectador a esse mundo fechado e bastante doentio.

É ainda herança do expressionismo essa sondagem aos lados mais obscuros da mente, como então se dizia. Lang desce a essa profundidade munido de um instrumento muito em moda na época, a psicanálise freudiana, vista aqui de maneira um tanto mecânica. Mas que serve perfeitamente à narrativa. O surpreendente é que a própria protagonista se converta em terapeuta do marido, realizando aquilo que Freud definia como “psicanálise selvagem”, ou seja, feita a fórceps.

Parece um filme com intenção comercial bem definida, a julgar por uma trilha sonora onipresente e por um desfecho tipicamente hollywoodiano. Mas a mão do mestre está lá, em toda parte, imprimindo na forma do filme uma visão de mundo, que, apesar das concessões, lhe é muito particular.

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